terça-feira, 29 de setembro de 2015

A casa da árvore


Toda criança sonha com uma casa na árvore. Eu não fui diferente. Sonhava em fazer meu clubinho lá no alto do pé de amora plantado por minha mãe no terreno ao lado da casa.
Estava ensolarado, uma manhã gloriosa. Eu e minhas quatro amigas nos distribuímos pelo quintal afim de encontrar qualquer coisa que pudesse nos ajudar a concretizar o sonho da casa na árvore. Reunimos tábuas de madeira, lona preta, latas, pregos, almofadas, lanterna, enfim... Estava ali tudo o que precisávamos e a vontade de fazer acontecer era tanta que logo nos envolvemos em tarefas diversas. Uma das amigas pregava tábuas de madeira no tronco da amoreira para servir de escada, outra desdobrava a lona, outras duas traziam uma tábua maior que serviria de base para o chão da casa e eu, lá no alto, ia recolhendo tudo para distribuir entre os galhos. Parecíamos um bando de formiguinhas trabalhadeiras e estávamos unidas em prol de um objetivo único.
Algumas horas se passaram e nosso clubinho já tinha tomado forma. Três tábuas tortas formavam o chão, a lona preta era o telhado, as almofadas nossos pufes. Mas tinha um problema: nossa casinha tinha ficado escura demais. Acionamos a lanterna, mas estava sem pilha. Procurei em vão pilhas nas gavetas de ferramentas do meu pai. Precisávamos de outra alternativa.
Então lembrei-me das velas. Essas não nos deixariam na mão. Peguei duas velas, uma caixinha de fósforos e corri até o terreno para anunciar a solução. Ficamos em êxtase. Minha amiga encontrou uma lata e nos trouxe para servir de mesinha. Pinguei a cera na mesinha e colei as velas ali. Já contávamos histórias de terror, brincávamos de tarzan, tudo quanto mandava o figurino.
Eis que minha mãe aparece para nos chamar para o almoço. Ao levantar a lona, uma histeria toma conta dela que arranca aos trancos a vela da nossa mesinha e puxa toda a lona chão abaixo. O que levamos horas para construir havia sido destruído em segundos! Ela era como um furacão descontrolado.
- Que perigo! Que perigo! – Ela gritava enquanto terminava a destruição.
Eu e minhas amigas ficamos sem entender... Que perigo era esse? Tínhamos tudo sob controle!
- Você está de castigo! Não vai mais brincar no terreno! – Dizia mamãe furiosa.
Minhas amigas questionavam com as mãos e eu dava de ombros.
Segurando a lata que usamos de mesinha, minha mãe me questionou:
Filha, você sabe o que tem aqui dentro? Tem alguma noção do que tem aqui dentro?
Eu balançava a cabeça negativamente.
- Aqui dentro tem gasolina! Você estava a ponto de causar um acidente gravíssimo!
Desisti da casinha e fui para o quarto.
E foi nesse momento que meu anjo da guarda recuperou o fôlego!

Lya Gram



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