terça-feira, 6 de outubro de 2015

A porta e o vento

As portas do destino encontram-se entreabertas. Escancará-las ou fechá-las é função do livre arbítrio, e este diz não existir regras.

Ser livre é viver desobrigado, é estar lucidamente embriagado, como quem ouve música para emudecer o mundo.

Um dia, alguém abriu a porta do racismo, mas o palpitar dos corações apaixonados pela igualdade a fechou e deixou um recado pregado nela: Não abra! Pode causar vergonha.

Atrás da porta da intolerância ouve-se grito, desespero e pelo vão dela escorre sangue inocente, corre fluido de vida que deveria ter sido vivida, corre destino ceifado. Essa porta não se fecha pelas mãos. A única coisa capaz de trancafiá-la é a humildade. O som da humildade vem do sorriso do mendigo ao receber atenção, vem do apadrinhamento dos órfãos, vem das mastigadas dos famintos, vem do respeito aos idosos. Humildade não é ser pobre. É reconhecer o valor de todas as formas de vida e ajudá-las também, a entender o próprio valor.

O caminhar fecha a porta da depressão, por isso, ande. Ande nem que sejam passos tortos, desajeitados. Se tropeçar, levante, mas nunca pare. Também não corra. Desfrute a riqueza do caminho. O som dos passos lentos e constantes marcam os compassos de um coração sereno. Deleite-se na sinfonia do teu ser.

O preconceito é barulhento. Suas portas são feitas de vidro vazado para mostrar sua feiura e ecoar seus gritos de guerra. As mãos desesperadas da ignorância sempre tentam agarrar os desatentos. Mas há uma forma de tornar essa porta invisível. Entoe o respeito. Espalhe-o de forma contagiosa. Não julgue o que não conheces e nem o que já sabes. Saiba ser aprendiz e ganhe um mar de possibilidades.

As portas da vida precisam ser tocadas, seja para abri-las ou fechá-las. Mas há uma delas que suplica sua atenção. Ela quer deixar de ser porta, ela quer estar  vazia da possibilidade de ficar fechada. Ela quer que você arranque as dobradiças e a jogue longe. É a porta da fé em você mesmo. Essa tem que deixar de ser porta para fluir eternamente no teu ser como vento. Há um uivo que sopra em teu ouvido dizendo que você é capaz de alçar voo. O zunido refrescante diz que seu dom é especial demais para ficar guardado. Doe sua essência e prove para esse mundo que o vento sempre esteve certo.






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