segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Poder de mãe

Ao lado dela
Na noite em que começava o culto sereno
Vi a felicidade de perto
Quando em fila todos aguardavam
As bênçãos da ceia e da partilha

Ela olhou nos olhos da moça
Pediu licença com um gesto simples
E com a graça da ternura lhe foi concedido
Um lugar na imensa fila

Eu observei cada movimento
E em dado momento
Pensei em aguardar minha vez
A oportunidade de pedir à alguma boa alma
Um lugar ali

Porém não foi preciso
Minha mãe abriu caminho
Estendeu sua mão e colocou-me à sua frente
Como sempre fez toda vida

Ela passou na frente como Maria
Abriu caminho para sua filha
E humildemente serena
Acompanhou estes passos
Na proteção de um amor imensurável

Em nome de Cristo agradeço a Deus
No seu amor grandioso me fez crescer em um lar de anjos
Um ninho de leveza e fé
Com sorte serei para o meu filho
Um pouco de tudo o que ela, para mim, é!



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Chuva de flores

Chuvas de flores, presente do vento
Beijem minha pele, cubram meus cabelos
Façam de mim tela branca
Doem seus aromas e cores

Usem minhas pernas
Caminhem comigo e juntos
Abriremos estradas com rastros de amor
Com cheiro de flor

E quem por ali passar
Que se sinta importante
E que carregue consigo
O sentimento daquele instante

E que venha o Sol
A energia alegre e calorosa
De valor inestimável
A dourar a pele de mais um ser caminhante
Que na sua jornada incessante
Buscará embaixo da árvore
O fôlego da existência

A frondosa gigante assovia através do vento
O vento travesso faz ventania
Flores e mais flores se desprendem da copa
Enchendo o caminhante de pétalas
Colorindo e perfumando o cangote suado

E na paz do momento
Ele caminha contra o vento
E deixa para trás outra estrada de flores
Para que passe mais um rei ou rainha
Nesse ciclo infindável de amor.







quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A pombinha curiosa

Peguei um livro e acomodei-me na cadeira de plástico à sombra das árvores do parque.
A pombinha branca veio cautelosa saudar-me naquela tarde ensolarada.
Parei de ler a matéria sobre a importância de monitores nas salas de aula e fitei a ave simpática que vasculhava o chão perto dos meus pés. Me mantive imóvel afim de procurar qualquer forma de comunicação que pudesse explicar o motivo pelo qual aqueles olhinhos vermelhos me encaravam com tanta vontade.
Não consegui nada além da troca de olhares curiosos.
Ficamos contemplando a harmonia e a graça de saber dividir o mesmo espaço sem qualquer tipo de superioridade.
O som da pomba a descansar lembra o ronronar de gato, o que chega a ser um pouco irônico.
Dizem que as pombas são pragas...
Bem que eu gostaria de vê-las esparramadas por aí, pois essa seria uma grande prova de que homem e bicho finalmente conseguiram partilhar o espaço e respeitar a natureza individual e fantástica de cada ser.