quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Abominável Ano Velho

Ano após ano e permanecemos sempre os mesmos. Mentimos para nós com a destreza de um contorcionista chinês quando, mergulhados na superficialidade de sempre, acreditamos que virá um ano melhor magicamente pelo simples fato de vestirmos roupas com as cores dos nossos desejos. Consigo ser uma espécie de vidente quando digo que nada vai mudar (ao menos para melhor) enquanto VOCÊ não mudar. Nesta época do ano, vejo com grande assombro praticamente duas cores imperando nas vitrines das lojas : o branco e o amarelo. Um simbolizando o desejo de paz e o outro simbolizando dinheiro. Duas vertentes antagônicas que a sociedade insiste em afirmar serem intrínsecas. "Se eu fosse rico eu seria feliz"," Dinheiro não traz felicidade mas manda comprar"," É fácil ter paz quando se tem dinheiro" são exemplos de frases que ao menos uma vez na sua vida você ouviu ou até pronunciou.
Estamos cada vez mais mergulhados em valores distorcidos e isso fica ainda mais grave quando defendemos com unhas e dentes  a visão de que dinheiro é sinônimo de sucesso e até de altruísmo. "Se eu tivesse dinheiro ajudaria mais", "Se eu tivesse dinheiro ajudaria minha família". E enquanto o dinheiro não vem, você sequer conversa com teu filho que anda calado. Você nem percebe as dores dos seus pais. Você não tem tempo para ligar pro amigo sumido. Você não olha com carinho a rebeldia do seu irmão. Então, quando você tiver dinheiro, talvez, será tarde demais. E você ainda vai se achar vítima do mundo, afinal, estava ausente por eles e agora recebe em troca a ingratidão e a indiferença. Não vai entender por que seu filho buscou a droga. Não vai entender por qual motivo seus pais já não lhe convidam à casa deles. Vai dizer que teu amigo sumiu por inveja à sua atual condição financeira. Vai julgar o teu irmão por mudar-se sem te avisar.
E então você vai entrar em depressão. Vai chorar como criança. Vai se sentir solitário. Você vai buscar ajuda. Vai tentar desabafar com um amigo que vai dizer na sua cara: Você não tem motivo para chorar! Veja o que conquistou! - porque ele também acha que dinheiro é sinônimo de felicidade. E a sua dor vai ser inferiorizada. E revoltado, você vai querer desfazer-se de tudo! Vai doar tudo! Alguns vão dizer que você é instável e louco. Vão sugerir tratamentos. Outros dirão que você quer aparecer. Você vai continuar sem entender. Doou o que pôde e ainda assim não conseguiu encontrar a paz. Você começa a desacreditar das pessoas. Você percebe que precisa da palavra mais do que do dinheiro. Você se fecha. Você medita. E só então, após muita reflexão, a luz acende no teu ser. A palavra! É claro! A palavra!
Então você vai em busca do teu filho e com ele tem uma conversa que não teve a vida inteira. Vai até a casa dos teus pais e oferece-lhes seus ouvidos. Você marca um encontro com seu amigo em meio à natureza onde o celular não pega só para desabrochar a conversa. Você vai dividir experiências com o seu irmão.
Agora não passa um dia sequer sem que alguém te procure. Todos querem sua atenção, seu carinho, sua palavra. Você se sente mais alegre e motivado. Os embates ainda acontecem, mas seu olhar mudou. Você não se sente vitimizado, ao contrário, sente-se iluminado.
As vitrines continuam brancas e amarelas. Mas você está colorido, pois o abominável ano velho foi embora e deu lugar ao teu novo eu, mais livre, mais intenso e mais vivo!

domingo, 27 de dezembro de 2015

A orquestra é do maestro

Naquela tarde
Bach musicou para mim
Fiquei matutando...
A gente se engana quando pensa
Que sentimento não tem som

Ora, como podemos ser tão surdos?
Ou cegos?
Ou mudos?
Não há músicos no mundo?

O que eclode em mim quando
Um som penetra minha alma
É um turbilhão de vivências
Experimentadas em cada acorde

Fechei os olhos
Queria aguçar meus ouvidos
Sentir por apenas um sentido
A magia de cada estrofe
Notei as flautas
Passeei nas teclas do piano
Deslizei o arco no violoncelo
Rufei timbales
Estiquei-me por detrás da tuba

E então, só então
Percebi que todos se moviam
E harmonizavam
Ao comando de um homem
Um único homem
Disposto a doar
Todos os seus sentidos
Em prol do bem comum

 Maestro, ou mestre
Unificaste os talentos
Percebeste que todos eram importantes
Fez da música eternidade do teu ser
Teus passos se tornaram compassos
Desses que todos querem aprender
Vá para a luz
Mas deixe sua vitória
Continuará de longe
A ser maestro
De músicos
De sonhos
De memórias
De gente como eu
Gente grata
Pelo legado que tu
Humildemente proveste.


 







sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Família - A prova de amor

A maior prova de amor
De Deus para o meu coração
É a família que escolheu para mim
Verdadeiros amigos até o fim

Que bom que faço parte
De um núcleo harmonioso
De gente que comparte
De um estilo virtuoso

O riso sincero
Isento de sarcasmo
É esmero
Verdadeiro entusiasmo

É o tipo de companhia
Que queremos noite e dia
Poder ter liberdade
De ser quem somos de verdade

Ali ninguém se julga
A brincadeira corre solta
Pulamos igual pulga
Fazemos bate-volta

Agradeço querido Deus
Por minhas irmãs e meus pais
Pelos amigos e parentes meus
Aqueles que só me trazem a paz!






Relembrando Jesus

Estou pensando Nele... Como não pensar? O ÚNICO capaz de seguir caminho sem NUNCA DECEPCIONAR!
"Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei". 
Não se engane, essa tarefa nunca foi fácil, por isso exige tanta fé. 
Porque Ele nos amou a ponto de entregar a PRÓPRIA VIDA num amor INCONDICIONAL. 
Se hoje, nesse exato momento, sua jornada estivesse encerrada e você estivesse prestes a encarar o juízo final, como se sairia?
Essa reflexão serve para colocar as reticências que tanto precisamos para tentar seguir um caminho de luz e paz. Reconhecer as próprias falhas, a pequenez diante da imensidão é apenas o começo. 
Se na sua vida existe espaço para Ele, então também deve existir espaço à humildade. Lembre-se, ser humilde não é ser pobre, na verdade, é ser rico na alma. O humilde não envaidece, o humilde não inveja, o humilde compartilha, o humilde perdoa... É um verdadeiro DOM. Todos temos esse dom, apenas esquecemos de usá-lo por força do ego.
Me coloco aqui como instrumento Dele, portanto releve essa que vos escreve. Quem vos escreve erra, e se olhares esse texto sobre o prisma humano, não terá efeito algum. 
Ouça, há algum tempo li a seguinte frase:

"Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível!"  Chico Xavier

Magoar alguém é terrível, principalmente se for intencional. Isso não foi dito à toa. Deus é bom, mas não deixa de ser justo. Se sabe que não vai ter algo bom pra falar, então é melhor calar. Se sabe que tens errado, então é melhor arrepender. Se as suas feridas aqui lhe são incômodas, imagine como seria sem pertencer ao Reino de Deus. 
Hoje é dia de relembrar os passos e ensinamentos de Jesus. Não há como alegar ignorância, a verdade já foi dita e mostrada. O rumo da vida é um só, mas seu destino tem várias bifurcações. 
Seus atos e palavras refletem o Deus que existe no teu coração. Ele quer ser grande e memorável. Ele quer ser a semente que veio para ser, e precisa de ti como semeador. O trajeto pode e deve ser leve. 
No dia do nascimento de Jesus, eu desejo que a semente do bem brote no seu coração para que assim você se torne semeador de paz, felicidade e amor. 
Você é especial e pode ser mais do que imagina ser. Basta crer. Basta querer. Basta pedir.






quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Festa do Renascimento

No palácio de mármore e ouro, teto de vidro de pé direito triplo, há pessoas e anjos num agito gostoso, empenhando-se em finalizar todos os detalhes para a maior festa de todos os tempos. No imenso coreto de vidro, ladeado por uma natureza estupenda, no alto do morro onde o horizonte do vale não tem fim, mesas brancas compridas vão sendo organizadas lado a lado com bancos extensos, heras são penduradas em todos os cantos, vasos de flores em cima de colunas romanas vão dando o toque de cor do ambiente. 
- Vamos pessoal, vamos. Logo Ele chega! - diz o Arcanjo Miguel
No palco a orquestra ajusta a afinação dos instrumentos enquanto lá fora as crianças junto com os anjos protetores ensaiam o coro. Todos estão com vestes douradas e descalços, para que assim possam sentir a vibração da natureza emanar fluido de vida. 
De repente flautas e harpas começam a tocar quando o Arcanjo da Anunciação diz:
- Senhoras, senhores, crianças, anjos, Arcanjos, Serafins e Querubins, Sua Majestade, a Rainha!
Todos se curvam encantados pela luz que circunda Maria. Conversas paralelas começam a surgir: "Cada ano que passa Ela fica mais linda", "nossa como é gostoso ficar perto Dela", "o amor Dela é lindo", "Olha que vestido encantador", "disseram que o vestido dela foi feito de fio de fé materializada"...
- Para com isso Arcanjo Gabriel! Você sabe que não gosto de formalidades! - Diz Maria com voz serena e um sorriso nos lábios. 
- Mãe! Mãe! -Um rebuliço de crianças se forma. Elas correm em direção a Maria que agacha e abre os braços para abraçá-las. 
- Mãe, faz a mágica por favor? É mãe, a mágica! Todas em uníssono: Mágica! Mágica! Mágica! 
- Ok, ok! Formem o círculo! - Se rende Maria
As crianças formam um círculo deixando com que Maria ficasse no meio dele. Ela então une as mãos em oração, fecha os olhos e inclina a cabeça para o alto. Nesse momento, luzes douradas percorrem o chão, vindas de todos os lados e sobem pelos pés de Maria, que no auge de Seu esplendor, expande a luz ao redor das crianças que agora, levitam a 30 cm do chão. Maria então começa a rodopiar, levando consigo as crianças que soltam deliciosas gargalhadas, como numa brincadeira celestial de gira gira. Todos cantam e batem palmas, extasiados pela ternura daquele momento.
Maria gentilmente desce as crianças e abre os braços em direção ao chão, devolvendo a energia à natureza, dessa vez, potencializada pelo Seu amor.
- Venham, venham rápido. Maria chama a todos apontando para o céu. 
- Ele está quase pronto! - Ela fala baixinho, deixando no ar um silêncio curioso. 
Dali dava para ver a imensidão do céu e sua magnitude. Estrelas cadentes cruzavam o céu a todo instante, astros e estrelas flutuavam grandiosas bem diante dos olhos dos que ali estavam. Até aí, tudo normal, pois todos os dias eram assim. Mas eis que uma estrela, a mais linda e reluzente de todas, nasce e vai crescendo numa proporção jamais vista. Mais e mais luz expandindo-se, como se toda energia do universo estivesse reunida ali. Até mesmo o Sol perdia força diante daquele resplendor. 
Uma voz misericordiosa se solta:
- Amados filhos! É chegada a hora do renascer da estrela nos corações dos que creram e foram fiéis ao Meu amor. Apresento-lhes Ele, o príncipe da Paz, aquele a quem entreguei por vós e que na fraternidade dividiu a própria mãe para que vocês nunca se sentissem órfãos, pois Ele queria compartilhar a sensação de ter sempre alguém do lado. Vou contar algo sobre Ele que vocês não sabem. Quando o chamei para conversar sobre a proposta de enviá-lo à Terra como homem, e mostrei a Ele o rumo e as dores que lhe acometeriam, sem hesitar Ele aceitou. Minha intenção era mostrar-lhes que Eu existo e que os amo muito!  Em gratidão por Sua confiança, eu lhe concedi um desejo. Disse a Ele para pedir qualquer coisa, e Eu atenderia. Sem dizer palavra alguma Ele caminhou e o acompanhei. Fomos andando no reino onde Ele acariciava as flores pelo caminho. Brincamos na ciranda das crianças, ouvimos música, coletamos frutas e cereais, cozinhamos, meditamos, praticamos a fé, compartilhamos sabedoria. Pouco a pouco fomos relembrando os grandes pequenos momentos e a felicidade de poder contemplar tantas maravilhas. Depois disso tudo Ele resolveu se pronunciar:
- Pai. Sempre tive do Senhor tudo o que alguém poderia querer. Sinto-me preenchido por completo, nada me falta e sei que nada me faltará. Eu não poderia pedir mais nada para mim. Mas o Senhor me ensinou a não ignorar as oportunidades boas que a vida apresenta, pois sei que é só mais um jeito Seu de “colocar o trem nos trilhos”. Então, se puder, gostaria de dar o Meu pedido a eles – falou apontando gentilmente para a Terra.
Senti imenso orgulho, uma felicidade tão intensa e lhe concedi o pedido.
Maria num gesto de louvor deu as mãos às pessoas ao seu lado, e assim, uma corrente de união se formou. Todos foram dando as mãos, para juntos, louvarem a graça de ouvir a linda revelação. Ao som inebriante do vento, Jesus desce do céu em uma nuvem dourada e abençoa a todos:
- A paz é convosco!
-Ao Seu comando querido filho. – Diz a voz celestial, com um tom de ansiedade gostosa.
Nesse momento, as pessoas na Terra faziam contagem regressiva: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... FELIZ NATAL!!
Jesus abriu os braços, elevou sua energia de paz ao máximo como uma bola reluzente e a apontou para a grande estrela cintilante.
- Os dons do céu e a força da fraternidade permitiram a expansão, vá e toque todo coração! – proclama a voz serena.
Nesse momento a grande estrela se parte em muitos pedaços e desce à Terra, tocando o coração de todo ser. Fagulhas de fé e fraternidade, alimentam o espírito na intenção de crescer. Muitas estrelas nasceram no céu.
Agora dá para entender melhor o motivo pelo qual se vai ao Pai através de Jesus. É porque o pedido era Dele, pertencia a Ele, e na Sua imensa bondade, nos foi dado. No dia de hoje louve a Jesus! Este é um dia muito especial. Estão todos no céu preparando a grande festa! Eles comemoram o nascimento de Jesus juntamente com o nascimento da fé em cada um de nós. O pedido foi partilhado. Você pode pedir! Lhe foi concedido um desejo! Use-o da melhor forma possível!
Olhe para as estrelas reluzentes no céu. Uma delas pertence a você, pois é a sua fé materializada! Hoje o céu brilhará como nunca! Faça sua estrela reluzir!
25/12/2015 – O dia do renascimento da sua fé!








quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Volte a ser criança

Ahh as mãos de criança...
Que mãos curiosas são essas?
Sedentas por magia
Aos olhos inocentes onde
Uma simples tampa é volante
De um carro que transporta imaginação
A rodopiar pela sala
Exibindo a volta de um tempo
Que não volta
Ou volta
Se permitir esvaziar o julgamento
De que adulto não brinca
Não sonha
Então se joga no chão
E faça sem medo
Cara de louco
Pois essa insanidade
É o mais perto que
Poderás estar
Da sã consciência infantil
Na sua inteligência inocente
Ser herói de seus problemas
Transformando-os em contos
Em olhares contentes
Por vencer a batalha contra
Essa maturidade cega
Que anuvia a mente
Que arranca cores
Que anula sabores
Sendo assim
Acredite em mim
Aprenda a ser como
Criança
Entre na ciranda
E para sempre
Todo sempre
Serás feliz

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Meu filho é magro e ponto!

Meu filho é uma criança saudável, alegre e não... ele não implora por brócolis como na propaganda da tv (o que está dentro do normal). O que vejo acontecer com muita frequência (inclusive dentro do meu nicho familiar) é muita gente condenando o biotipo da criança magra como sendo consequência da desnutrição advinda falha da mãe em alimentar o filho corretamente (porque o pai é eximido da responsabilidade nessa sociedade tipicamente machista). 
Não existe nenhum tipo de ajuda prática que venha somar positivamente a conta das mães que têm dificuldade em alimentar os filhos, ao contrário, elas são deliberadamente condenadas, têm questionadas as habilidades maternas e são bombardeadas de culpa. 
Há algumas coisas que precisam ser ressaltadas para chegar ao denominador comum da questão:

1 - Biotipo. 

Sempre fui uma criança magra e nem me lembro quantas vezes tomei vitaminas, sopas calóricas, gemadas, etc tudo para ver se eu engordava. Conclusão: Nunca engordei! Sempre fui a criança mirradinha, de pernas e braços finos. Comia de tudo, nas proporções que meu estômago aguentava. Até hoje há quem pense que como pouco ( o que para mim, não é verdade). 

2 - Paladar

Todo alimento possui vitaminas e minerais e a diversificação é o caminho para manter uma dieta equilibrada. Mas o fato é que desenvolvemos desde cedo um paladar peculiar a cada experiência e não gostar disso ou daquilo faz parte da unicidade de cada um. No caso de crianças, estudos apontam que é preciso apresentar o mesmo alimento dez vezes para que ela o aceite. Isso leva tempo, leva paciência, leva jeitinho. Apressar esse processo pode arruinar o resultado. A mãe sabe disso! Os de fora é que não sabem!

3 - Rotina

A criança é movida a rotina! Tem horário para tudo e gosta de estar no seu ambiente, sente-se confortável no seu cantinho, com seus brinquedos, seu lugar à mesa. Obviamente que na casa da vovó, no restaurante, ou em qualquer lugar que não seja a própria casa ela vai querer fazer diferente. Vai querer explorar o ambiente, absorver informações e comer com certeza será sua última opção já que envolve concentração e disciplina. Portanto ficar fazendo drama em cima disso é simplesmente inútil e cansativo.

Dito isso tudo, concluo que cada um teve ou terá oportunidade de criar os próprios filhos e ninguém foi ou será isento de dificuldades. Mas cabe aos pais abraçarem a missão de cuidar do desenvolvimento de seus filhos e tenha certeza, opiniões alheias serão muito bem vindas quando solicitadas, caso contrário, podem se tornar inconvenientes, deselegantes e desagradáveis. Pense nisso!

Obs.: Quer ajudar no combate a fome e outros assuntos? Veja no link abaixo uma lista de Ong's no Brasil onde seu empenho fará realmente a diferença:

http://www.ongsbrasil.com.br/









Instantâneo

Há um som dentro de mim
Ele não cessa
Ele perturba
Preciso fazer algo...

Essa tortura
Me leva à loucura
E em um lapso
Me entrego
Assumo o relapso

Mergulho todo o conteúdo
N’água borbulhante
Só para ver
Em qual instante
Ele irá se desfazer
Ele irá me satisfazer?

O pó tempera
Já sinto o cheiro
Não há outro jeito
A fome impera

Sinto na boca
O gosto da preguiça
É muito salgado
Até o pelo eriça!

Deixei de ir ao mercado
E acabei vítima
Do meu próprio descaso

Não posso reclamar
O miojo me salvou
Barriga deixou de roncar
Depois que comi
O último pacote que restou.

A cura da loira

No meio da aula saí
Fui para o Santo Gole
Me apresentaram a famosa loira
Gelada como neve
Descrita como remédio das dores
Da perda de amores

Mas na realidade
Diziam sorridentes
Que tinham grande curiosidade
De ver a pequena flor de Lis
Sob os efeitos da cevada
A tal da leve “marvada”

Fiquei pensando...
Que mal faria?
Naquela noite fria
Provei a bendita danada
Na frente dos colegas
Que comemoravam a conversão
De água para o vinho
De menina em mulher
De medo em coragem

Amarguei na boca
O gosto da fraqueza
De me deixar levar
Pela curiosidade alheia

Algum tempo depois...
A decepção!
Não subi à mesa
Nem revelei segredos sórdidos

Paguei a conta
Assim, meio tonta
E fui me despedir
Pois o álcool funcionou para mim
Como bom remédio para dormir.




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Quem sou eu?

Se me perguntares quem eu sou
Responderei sem titubear que sou feita de momentos
Alguns pedem o rugir de um Leão indomável
Outros a travessura do gato
Há ainda o momento em que serei o cão pidão
A árvore solitária que dança conforme o vento
O bicho preguiça
A baleia maternal
O pavão pomposo
Se desejas encontrar qualquer resquício de constância em mim
Continuará procurando até o fim!
Porque mesmice é chato! Eu fujo do chato!
Quero continuar a ser essa obra entalhada
Sobre a diversidade das possibilidades
E sentir um fluxo constante de aprendizado
Trazido pela sabedoria do caminhar
Para sempre modificar
Melhorar
Viver



 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A saga dos óculos perdidos

Estava tranquila até que peguei um livro
Meus olhos exprimiram-se incomodados
Para deleite das recém nascidas rugas
E injúria desta que vos relata os causos

Certamente fui atrás da solução
Pegar meu cúmplice, meu parceiro
Os óculos que me acompanham na vastidão
Das leituras que me levam ao mundo inteiro

Primeira parada: escritório!
Recanto de criação e museu particular de sabedoria
O danado sabe brincar de esconde esconde
Não estava lá... Onde estaria?

Lembrei da bolsa que carrego quando saio
Gato Félix teria inveja das minhas tralhas
Encontrei! Só que não...
Era apenas a caixinha vazia... Que raio!

Tá frio ou tá quente?
Não tem ninguém pra me ajudar!
Olhei até debaixo do tapete!
Chamei meu filho para conversar.

Filhote querido, viu os óculos da mamãe?
- Não, foram os do papai que peguei!
Onde você os colocou?
- Eu... eu... eu não sei!

Fui ao quarto dele e revirei o baú
Tirei todos os brinquedos de lá
Encontrei os óculos do Sr. Potato
Mas os meus não consegui encontrar.

Não sei o que fazer...
Como pode ter sumido assim?
Onde será que fui esquecer?
Então uma luz acendeu em mim!

Quando fui ao cabeleireiro
Lya Luft me acompanhou
Terminei o livro inteiro
No tempo que o tratamento durou!

Busquei o telefone
Mas já era tarde para ligar
A situação me deixou insone
Não consigo esperar!

Pedi ao meu marido
Que mandasse via face uma mensagem
Na página do salão referido
Onde fiz a tal selagem

Então decidi dormir.
Deixei o livro na cabeceira
Apaguei o abajour
E esperei a noite inteira

Os pássaros mal acordaram
E eu já estava de pé
Revirando mais e mais lugares
Na abundância da minha fé

Meu marido entrou na rede social
Tinha uma resposta do salão:
- Vou perguntar para o meu pessoal,
Mas não lembro de tê-los visto aqui não!

Sem muita esperança
Liguei na casa do meu pai
Essa é a última chance
Ou é mais um óculos que se vai.

Com a voz rouca a mana atendeu
Perguntei e prontamente ela respondeu:
- Vou lá dar uma olhada (passou algum tempo)
- Está aqui, na cabeceira da mãe você esqueceu!

FIM

Obs.: O livro está me cobrando
          Tentei dar uma espiadinha
          Não vou trair meus óculos!
          E o guardei na escrivaninha.    



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A revelação de Clarice

Às vezes fico imaginando se esse ventre me escolheu ou se fui eu a escolhê-lo. A dualidade com que sempre enfrentei a vida vem da falta dessa resposta. Sempre gostei do ovo e da galinha porque sei que até hoje ninguém sabe o que vem primeiro. Me identifico com isso, me sinto menos peixe fora d´água, principalmente quando se trata de indagações sem réplica. As lógicas com as quais me justifico podem ser insanas e assim o fiz propositadamente para que ninguém se aproprie daquilo que é puramente meu. Não pretendo mudar meu dialeto para que me entendas. Talvez os segredos contidos no meu “mundo faz de conta” estejam bem na sua cara e sejam tão reais que fazem com que você seja o devaneador de mim. Por que me interpretas se já o fiz antes de escrever? Eu sou preto no branco, basta ler!
Passa o tempo, reinvento maneiras de buscar alento para essa angústia que não cessa. Tento olhar o mundo lá fora sem me colocar nele, mas acidentalmente, me espalho. Me considero hermética por ser como suas sete leis, mas a lei da polaridade se tornou meu registro forte: Tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliáveis.
Se o ventre de minha mãe me escolheu, então sei que venho de um seio forte. E na fortaleza com que fui concebida me escondi. Fiquei na torre da princesa, trancafiada por um amor que logo me deixaria. Minha fortaleza virou cinzas e eu fui vítima e vilã ao mesmo tempo.
Se eu escolhi aquele ventre então, fui a fortaleza. Decidi me criar ali mesmo, altiva na certeza de que ao menos por um tempo, eu seria o tudo de alguém. E então, dona do meu nariz, fui a guerreira da paz. Guerra, paz...
Ahh essa dualidade que me embriaga...
Mas existe um fato que nunca fora revelado em meus livros: de todas as formas, eu salvaria minha mãe. E salvei. A livrei dos fantasmas do passado, carregando-a por passagens literárias rumo ao sonho roubado. E ela não morreu. Na verdade, morre quem fica. Morre pela saudade. E quem morreu, vive, também, pela saudade. Vive no coração que palpita pela lembrança.
Por isso dizia que estava morta. Morta de saudade. Mas hoje vivo em paz, sem carregar minha alma, pois ela ficou leve. Hoje tenho mais de um rosto, mais de um coração. Hoje exalo vida. E não há porque morrer de saudade. O universo é infinito mas mesmo assim é um só. E, sendo assim, a distância que existe é apenas uma questão de perspectiva e fé.
Continuo a mesma pessoa, mas hoje me considero escritora. E antecipo, estou no meio de uma nova história!



A rocha e o mar

A rocha que desponta no mar
Ainda não sabe se juntou grãos de areia
E cresceu
Ou se o mar
De repente
Evaporou

A rocha emergiu
E viu finalmente o brilho do Sol
Longe da lente aquática
Que borrava sua luz

O mar, seu grande inimigo
Mereceu ser ressequido
Afinal era muito egoísmo
Deslumbrar o céu sozinho

O mar nada fez senão 
Ser o que foi destinado a ser
Volume de água salgada
Fonte de vida
Numa rotina turbulenta em superfície
Agravada pelo vento
E calmo no interior

A rocha
Agora sozinha
Na sua imensa forma
Contempla um cemitério de peixes
Espinhas, conchas e areia
E seu maior desejo
É que a chuva traga novamente o mar
Para arrebentar ondas em sua face
E mergulhar novamente os olhos
Naquela serena profundidade



sábado, 12 de dezembro de 2015

Ontem e eu

Sou oponente de mim mesma
Quero vencer-me
Como alguém que vê em si obstáculos
E os salta no intuito de colecionar pequenas vitórias

Agarro o propósito de ser melhor que ontem
E faço isso hoje
E recomeço ao nascer do Sol
Sem pressa

Eu tenho defeitos
E quem não tem?
Não me colocarei em balança alguma
E não medirei êxitos nem derrotas
Nem minhas e nem alheias

Serei cega como a justiça
Para que assim eu veja pela alma
E vasculhe o interior de mim
Na busca do tudo que me permeia

Quero ser desbravadora de um novo mundo
Entrar nas florestas densas deste ser
Abrir clareiras emocionadas
Chorar a alegria de viver
Porque nem toda lágrima
Pertence à tristeza





sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O Sol e a alegria

A alegria aquece minh´alma
Como um Sol a chicotear com fagulhas
Marcando meu ser com cicatrizes
Revisitadas tantas vezes
Para lembrar quanto vale a pena seguir

Essas fagulhas cintilam no brilho dos meus olhos
Descem para a boca
E abrem a janela do puro sorriso

Queima-me Sol ardente
Faça-me flamejar na escuridão
Como lamparina caminhante
Fogo eterno do adeus a solidão

Juntos seremos calor
Derreteremos qualquer temor
E as cinzas que por acaso acometermos
Serão o desapego de tudo que nos freia
Nos engole
Nos maltrata

E o pó sumirá no vento
Que levará aos quatro cantos
O destino das mazelas
Para que assim
Só alegria
Se dirija a mim

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Seguir, não desistir!

Grandes sonhos são esculpidos sob muitas derrotas
Senão não são sonhos
São vontades designadas pelo ego
E no primeiro embate tudo esvai
Como água que penetra o vão dos dedos

Desistir não consta no dicionário de quem sonha
Pois cada manhã é nova oportunidade para entalhar degraus

Os risos vãos que se formam a cada tropeço
Hão de calar diante da magnitude da vitória
Aí será apenas o começo
De uma eternidade de glória








quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

O futuro do pretérito não me engana!

O jornalismo possui diversas facetas para passar sua mensagem às pessoas. Há que se ressaltar o impacto que a imprensa pode causar ao decidir publicar uma notícia, por quaisquer meios de comunicação que seja.
Mas quero chamar atenção para uma metodologia muito utilizada para disseminar informações que, ao meu ver, perdem credibilidade. São aquelas precedidas de futuro do pretérito. Imagine as seguintes chamadas jornalísticas:
“Fulano TERIA beijado loura estonteante em evento social”.
“Beltrano ESTARIA viajando na hora do crime”.
“Ciclano TERIA aceitado propina”.
Ora, sejamos sinceros! Não é preciso ter graduação para saber especular, mas é preciso ter coragem para expôr em rede nacional tamanha falta de profissionalismo. Usar o futuro do pretérito denota uma certa falta de responsabilidade. Das duas, uma:
Ou a notícia é falsa e foi “jogada no ventilador” afim de alimentar o famoso sensacionalismo, ou vem de uma fonte extremamente duvidosa. Ambos os casos são, no mínimo, vergonhosos.
Independentemente de qualquer coisa, uma notícia assim não tem o meu respeito. Na minha opinião, um jornalismo sério é desenvolvido através de pesquisa e fato, sem margem de erro. Um evento extrapolado deixa de ser fato e passa a ser conto do vigário. Pronto, falei! TERIA deixado quieto... Mas não consegui!






sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Carrinho de Aeroporto

Dia de viagem!
Suas malas estão prontas há quase um mês e a ansiedade agora está a mil!
Finalmente irá aproveitar as merecidas férias.
São tantas bagagens para encaixar no porta malas que seu esposo diz parecer a fase mais difícil do Tetris. Coisa de nerd...
O trajeto de carro até o aeroporto foi tranquilo. A empolgação é tanta, que já na chegada você fotografa a torre de comando achando-a linda!
Enquanto o marido tira as malas do carro, você corre para encontrar um carrinho no saguão do aeroporto.
Eis que você puxa um carrinho e ele está travado. Puxa outro que também não sai do lugar. No terceiro você dá um tranco forte, mas mesmo assim, suas rodas não obedecem.
Você pensa em reclamar com o atendente que passava por ali quando uma pessoa pega um dos carrinhos e sai deslizando normalmente. Que raios?!
Então você decide ficar ali observando...
Uma idosa tenta pegar um carrinho e também não consegue. Ela te olha e reclama o descaso do aeroporto com seus viajantes! Você em contrapartida, aproveita o momento para desabafar a falta de investimentos do governo em um dos aeroportos mais movimentados do país! Vocês duas ficam ali reclamando à espera de um atendente para soltar os cachorros.
Eis que um funcionário do aeroporto surge.
Você então cheia de razão empina o nariz e queixa-se com veemência da inoperância dos carrinhos ali estacionados.
O funcionário muito calmo e com um sorriso de canto de boca testa o primeiro deles na sua frente. O carrinho desliza feito patins no gelo!
Você fica com cara de interrogação, como se um verdadeiro milagre surgisse bem na sua frente.
Então, o atencioso rapaz explica que para fazer o carrinho deslizar, basta apertar a barra frontal do mesmo.
Você se sente uma pateta por dois motivos: primeiro por não saber operar o carrinho e segundo por não ter ficado calada...
Ao levar o carrinho até as malas, seu marido te recebe com protesto: por que demorou tanto?
A sua resposta vem rápido: não estava encontrando o carrinho!

E quem sabe um dia você revele a seu esposo a verdadeira história. Até lá, te resta rir sozinha do dia fatídico em que precisou de aulas de direção do carrinho de aeroporto!