domingo, 31 de janeiro de 2016

Decifra-me se puder

Não sou alguém de sentimento inventado.
Se eu choro é porque as lágrimas ganham espaço para derramar a dor, se desabrocho um sorriso é porque a plenitude me rouba, se o rancor range os meus dentes é porque preciso experimentar o luto. Eu sou o momento, o agora moldado pelo ontem e o futuro trançado passo a passo.
Eu sou ninguém para muitos, sou alguém para poucos, sou só mais uma na multidão.
Eu sou a novela da minha vida, sou o conto do vizinho, a crônica dos meus dias. Sou o romance dos afetos, o drama das tristezas, a aventura das escolhas. Sou a ficção dos meus devaneios, o terror dos meus medos, a comédia das bobeiras.
Eu gosto de ser essa bagunça indecifrável, quero manter o quarto do meu ser desarrumado para me perder de vez em quando e reencontrar a mesma pessoa em um abraço de saudade sem fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário