sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ode à José Régio

Conheci um tal de Régio, seu legado me tocou
Não pelas cruzes daquele prédio
Mas do seu eu que me restou

Palavras fortes, coragem materializada
Tinta, papel, Deus, céu e coração
A dualidade que tanto esboçava
Era nada mais, questionamentos de um homem são.

Chame-o de louco, se quiser ser como todos!
Vá por aqui, siga por ali, são passos de quem o destino não pertence
Pois existir é diferente de viver, e verdade é para quem se atreve pertencer

A bíblia seu refúgio, ou seu maior temor?
Sangria alienada ou prova de amor?
Indagar é proibido, é caminho para o abismo
Liberdade não existe, o que existe é egoísmo

Açoitado pela culpa, perdão de Deus  precisas ter?
Coleciona Sua história para lembrar de arrepender?
Sua fé seleta, brinca com a razão
Ora credes, ora não.

Da tua "insanidade" eu compartilho
Imagino tua busca
Falta resposta, segue o martírio...
Ou é a resposta que nos assusta?

Há uma verdade e nela mergulhei
Amai-vos uns aos outros, essa é a grande lei
Espero o amor para aprender a amar?
Ou amo simplesmente esperando não errar?

Descanse em paz Zé Régio, sua missão foi cumprida
Não há cântico negro, há poesia garrida
Ouça o poema do silêncio, sua voz no alto som
És um simplício, revelado no seu puro dom.



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