segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Mulher traída

Homens canalhas ela conheceu
Apaixonou, chorou
Levou o fora, entristeceu
Tomou o vinho, perdoou

Ele liga vez ou outra
Cinema em casa, ela topa
No outro dia ele some
No edredom ela se entoca

Acorda menina!
Sacode essa poeira!
Diz a melhor amiga
A maquiar-lhe a olheira

Mas ele é minha vida!
Retruca a paixão cega
Sem notar a ferida
Que a lágrima não nega

O celular apitou
Ela sente estremecer
O cara então avisou
Sinto não poder te ver!

Ela diz estar cansada
De homens escorregadios
Que não se prendem a nada
Que ao amor são arredios

A amiga então protesta:
Dê um gelo no dito cujo!
Ele já provou que não presta!
Saia desse jogo sujo!

Então elas se arrumam
Decidem ir ao barzinho
Ao adentrarem o local
Adivinhe quem não está sozinho?

Eis o cara de pau
A beijar moça estonteante
Irônico ele faz um tchau
Num gesto petulante

Ele não vale nada!
Diz a melhor amiga
Não vou assistir calada!
Diz a mulher traída

Boa noite meu querido!
Essa é sua mãezinha?
Parecia tão entristecido
Pela doença da coitadinha...

Seu Pinóquio mentiroso!
Destruidor de dignidade alheia!
Está aí dando um de gostoso
Quando nu é uma baleia!

O cara encabulado
Não sabia o que dizer
Restou ficar calado
Para não contradizer

Teu celular está deletado!
Não me procure mais!
Pobre moça do teu lado...
Encontrou príncipe errado...

A acompanhante então levanta
Joga o vinho no homem safado
Vira amiga da mulher traída
E sai rindo do cara molhado

A mulher traída desabafa:
Meu Deus, como fui tonta!
A outra aliviada:

Ao menos ele ficou com a conta!


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Dindin

Dinheiro
Desejo desenfreado
Dono de súditos fiéis

Mero pedaço de papel
Árvore morta
Tem muito mais valor assim

Ar puro? Quem se importa?
Se o cheiro de uma nota nova
É o que mais conta no fim


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Controverso

Eu quero dizer
Então me calo
Eu tento ser forte
Então me abalo

Eu sigo em frente
E logo eu volto
Estou sorridente
Depois revolto

Renuncio a vontade
E aí devoro
Vou sem medo
E lá me apavoro

Compro um sapato
Mas vou de chinelo
No meio do mato
Desejo um castelo

Se faço academia
O brigadeiro me vislumbra
Se durmo à luz do dia
Acordo na penumbra

Se sou adulta
Eu viro criança
E quando desisto
Encontro a esperança

Se quero ser rica
Me vejo pobre
E todo plebeu
Para mim é nobre

O humano tem disso
De se contradizer
Quem nunca fez isso
Não sabe o que é viver!





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Instantâneo

Há um som dentro de mim
Ele não cessa
Ele perturba
Preciso fazer algo

Essa tortura
Me leva à loucura
E em um lapso
Me entrego
Assumo o relapso

Mergulho todo o conteúdo
N’água borbulhante
Só para ver
Em qual instante
Ele irá se desfazer
Ele irá me satisfazer?

O pó tempera
Já sinto o cheiro
Não há outro jeito
A fome impera

Sinto na boca
O gosto da preguiça
É muito salgado
Até o pelo eriça!

Deixei de ir ao mercado
E acabei vítima
Do meu próprio descaso

Não posso reclamar
O miojo me salvou
A barriga deixou de roncar
Depois de devorar
O último pacote que me restou.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Revista Varal do Brasil N 40 - Edição Dia da Mulher

Bom dia!
É com grande alegria que participo dessa edição simplesmente fantástica da revista Varal do Brasil, muito bem comandada por Jacqueline Aisenman. 
Esta edição vem com o tema Mulher e fiquei embasbacada com a variedade com que o tema foi tratado. São visões muito bem fundamentadas, cada qual exprimindo sua paixão. Não perca!

http://varaldobrasil.ch/revistas/varal-no-40/


MARCOemail

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Você sabe andar de bicicleta?

O legal quando se sobe numa bicicleta é o vento que bate no rosto, a vontade de abrir os braços na descida, de soltar os pés do pedal, de ficar de pé enquanto as rodas nos levam por caminhos que seriam ignorados não fosse a sensação de plenitude que nos envolve.
Andar de bicicleta é mais que exercício físico, é muito mais que instrumento da vaidade. Aliás, estar bonito em cima de uma bicicleta é o mesmo que usar alta costura para comprar pão. Simplesmente não combina.
Ela quer ver cabelos soltos, ela quer apostar corrida com os carros, ela quer que a levemos por trilhas fechadas para sentir o cheiro da mata. Ela quer rodar até revelar a criança que existe em nós.
A vida requer equilíbrio do mesmo jeito que pede coragem. Mas não a coragem insana de quem não mede as consequências. Ela quer daquela que usamos ainda crianças, quando aprendemos a andar de bicicleta.
Começamos devagar, sentamos no banquinho e colocamos os pés no chão. Testamos o equilíbrio e cautelosamente liberamos a bravura para colocar um dos pés no pedal. Analisamos a distância que servirá de objetivo e elegemos o terceiro poste. Ninguém coloca o desafio para nós, senão nós mesmos!
Então, inspiramos fundo e num empurrão, a coragem impulsiona. Os braços, sempre repousados no guidão não tiveram tempo de preparação. Eles tremem e não decidem para qual lado seguir. A bicicleta requer harmonia e paciência. A vida também.
Mas o medo toma conta, caímos no chão. Levantamos, chacoalhamos a poeira e retornamos ao mesmo ponto de partida. Mas nós já não somos os mesmos. Temos a experiência da primeira queda e o orgulho de persistir. A bicicleta requer atitude. A vida também.
E com o coração em êxtase, e com garra, apertamos as mãos com força, visualizamos o ponto de chegada e pedalamos com a certeza de que, finalmente, venceremos. Vez ou outra as rodinhas de apoio raspam o chão, até que então, encontramos o equilíbrio. O terceiro poste ficou para trás. E lá vem o sorriso de missão cumprida. E ele dura para sempre, ou ao menos, sempre que vemos uma bicicleta. 
Albert Einstein disse que viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio.
Mas devo acrescentar: Para manter o equilíbrio é preciso viver os ensinamentos da bicicleta. Sendo assim, devo perguntar:
Você, sabe andar de bicicleta?



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Para a consciência não existe álibi

Mentir por boa causa
Omitir por caridade
Enjaular por precaução
Ofender pela verdade

Prestigiar por interesse
Ajudar por obrigação
Ensinar por vaidade
Elogiar por educação

De nada adianta
Tentar esconder a verdade
Sórdida e repugnante
Presente em toda sociedade

Sempre vai existir gente
Disposta a “ajudar”
Entoando ardentemente:
Faço isso porque sei amar!


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

HOJE

Hoje não quero pensar. Só hoje me darei o luxo de escolher a ignorância. Farei isso porque pensar também cansa! Cansa escolher e hoje quero ser escolhida. Quero todos os mimos me cercando. Se pudesse me enfiaria no ventre de minha mãe só para ter quem me carregue. Hoje estou carente... Carente de paz. Quero deitar num colo vigilante, amoroso e silencioso. Quero fechar os olhos, desenrugar a testa tão contraída por tantas preocupações. Hoje cancelei o compromisso com o mundo e Deus há de me perdoar. Hoje eu realmente farei jus ao egoísmo, caso alguém o tenha me dado. Hoje vou me importar comigo de um jeito particular. Vou colocar no cofre do esquecimento quem me é indiferente. Hoje vou agarrar apenas as minhas vontades e serei sem dó a criança rebelde. Hoje, só hoje não vou olhar para o lado. Hoje darei de ombros aos julgamentos alheios. Hoje não vou comprar nenhuma culpa por ser feliz. Hoje eu quero mandar a inveja para aquele lugar! Hoje não vou compreender ninguém. Ai de quem me perturbar hoje! Hoje eu quero justiça. Quero que caia de joelhos as injúrias, as maldades, as inimizades, a falsidade e a hipocrisia.
Porque hoje é meu presente e está na minha posse.
E só por hoje, não preocuparei o amanhã.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Premonição

Os dons que revestem o triste olhar dessa menina
São como cactos espinhosos
Pequenos, gentis e ardidos
Revelados por uma dor que só ela sente

Logo ela se vê livre da misteriosa neblina
Desperta assombrada por pesadelos horrorosos
Estaca cravada na lembrança de momentos nada coloridos
Rememora sôfrega o grito de tanta gente

Algum tempo depois vem a chicotada da sua sina
O noticiário sangrou corações amorosos
E ela que quase havia se curado dos olhares sofridos
Viu tornar realidade o pesadelo que a perseguirá eternamente





sábado, 6 de fevereiro de 2016

Queremos passar pelo rio vermelho!

Sou fascinada pelo mundo das crianças!
Elas são dotadas de uma inteligência emocional que deixa qualquer adulto no chinelo. A forma como elas expressam seus pontos de vista umas as outras é tão eloquente quanto inocente. 
Esses dias eu tive o prazer de reviver uma parte da minha infância enquanto crianças brincavam de rio vermelho. Essa brincadeira requer um senso de observação apurado e consiste em deixar passar a ponte imaginária aquele que estiver usando o acessório designado pelo interlocutor. Pode ser uma blusa amarela, um relógio de pulso, um brinco de argola, etc. Aquele que não se enquadrar será perseguido e se for pego, assumirá o papel de interlocutor.
Comecei então a fazer uma reflexão entre a brincadeira e a vida.
Durante a nossa jornada, nos deparamos com pessoas das mais variadas personalidades. Observamos nelas as qualidades admiráveis e os defeitos detestáveis e assim, selecionamos e permitimos apenas alguns deles do lado de cá da "ponte" do nosso ser. Pare para pensar em cada pessoa que você conheceu e naquelas que permanecem como parceiras de caminhada. O que fez você distanciar de fulano e o que beltrano fez que te cativou?
Em instantes, você vai encontrar mil motivos para cada caso. 
Quando nos posicionamos perante o outro como expectadores, obviamente buscaremos as semelhanças que nos deixam mais confortáveis, ou seja, aqueles que partilham o mesmo pensamento, os mesmos gostos, as mesmas convicções, etc. Fazemos isso para evitar embates, somos instintivamente defensivos no que tange as mudanças.
Façamos um outro exercício. Por que FULANO se distanciou de você e o que VOCÊ fez para cativar beltrano?
Perceba, agora você precisa assumir a culpa, tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso do relacionamento. Nesse momento não há meio termo, você terá de vasculhar diálogos, posturas, memórias e uma infinidade de quesitos para desvendar seus êxitos e suas falhas. Mas falhar dói. Reconhecer nossos erros nos fará enfrentar mudanças e mudar requer a desconstrução muitas vezes, de uma vida inteira.
Mas realmente creio que um dos grandes segredos para a sabedoria é deixar de ser o "interlocutor" e olhar mais pelo lado de lá da ponte. Deixar de ser caçador de defeitos alheios para ser colecionador de qualidades. Ninguém é tão bom que não possa ter defeitos e ninguém é tão ruim que não possa ter qualidades. Precisamos praticar a tolerância para crescer, caso contrário, seremos nada mais que adolescentes rebeldes em plena maturidade. 
Atravessemos o nosso rio vermelho, as nossas falhas, defeitos e preconceitos para chegar ao lado mais belo da ponte: a paz.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conto infantil - A flor e a borboleta

Era uma vez uma flor que queria ser borboleta. Ela ficava sempre no mesmo lugar balançando conforme o vento, sonhando em voar alto e quem sabe, visitar as flores mais longínquas. Os dias passavam, as estações trocavam e nada mudava. A pequena florzinha foi ficando triste e foi murchando até restar apenas uma pétala presa à sua haste.
Um certo dia, uma borboleta muito distraída não viu uma baita árvore à sua frente e bateu com muita força no seu tronco. A borboleta se sacudiu tonteada e viu que perdera uma de suas asas. Ela percebeu que não podia mais voar e ficou deprimida.
Eis que um caracol muito inteligente apareceu, analisou a flor e a borboleta e disse:
- Eu tenho a solução para trazer alegria de volta à vida de vocês, mas precisarão confiar em mim. Vou chamar uma amiga e já volto.
Após algumas horas o caracol voltou trazendo consigo a dona aranha, famosa por sua habilidade de tecelã.
A dona aranha então falou:
Hummm... Vai ser difícil, mas acho que dá para fazer!
Sem pestanejar a dona aranha arrancou a última pétala da florzinha e a costurou nas costas da borboleta.
A borboleta então decidiu testar sua nova asa e como um milagre, conseguiu voar novamente. A flor cintilou de alegria por contemplar do céu a mais linda paisagem.
As duas agradeceram imensamente o senhor caracol e a dona aranha por sua bondade e voaram longe para mostrar a todos o grande poder da amizade.

FIM.

Vidente Amigo

Às vezes não importa o que sinto
Apenas o que transpareço
Pois se algum tropeço
É visto por alguém
E esse alguém interpreta
Como um recomeço
Então levantarei
E caminharei
E esse alguém se tornará
Vidente da minha sorte
Por ter me livrado da morte
De permanecer no chão
Quando ainda ali
Batia meu coração
E se algum dia
O palpitar cessar
Ainda assim
Não há razão para chorar
Pois meus olhos um dia viram
Esse vidente amigo
A estender a sua mão
A enxergar esperança
Onde havia desilusão
E por ele
E para ele
Terei vencido
Para simplesmente ser
Outro vidente amigo.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nota de agradecimento

Hoje é um dia muito especial!
Deus, mais uma vez, agraciou o meu caminho com uma grande felicidade: o de ter uma poesia selecionada no prêmio SFX de literatura.
Não esqueço o dia em que fui visitar uma livraria no shopping e, querendo aprender mais, decidi buscar a seção de poesia. Com a curiosidade quase infantil, fui deslizando o dedo indicador nos livros até que me deparei com um deles que me chamou a atenção: Contos e poesias reunidos em um único livro! O segurei e vi que se tratava de um exemplar do primeiro prêmio SFX de literatura - 2013
Até então, escrevia só para mim, como num desabafo entre eu e minha alma. Então eu fui lendo e logo percebi que pertencia àquele mundo, o da literatura. Fui desbravando os talentos alheios com tanta vontade que aflorou em mim o desejo de compartilhar, de tentar, de melhorar, de vencer.
E aconteceu!
Aquele livro tornou-se parte de mim assim como eu agora também entrei para sua história.
Quero agradecer a Deus, esse lindo pai que me inspira, me acolhe, me guia e me protege.
Quero agradecer os apoiadores da minha empreitada, minha família, meus amigos de caminhada, e todos aqueles que torcem pelo meu sucesso.
Quero agradecer o Sr. Cristóvão Cursino, a Sra. Helena Morales, a comissão julgadora e todos aqueles que fazem o prêmio SFX de literatura crescer e enaltecer cada vez mais a arte da escrita.
Termino esse post com o belíssimo trecho do poema intitulado Cecília Meirelles escrito pelo grandioso Mário Quintana, no desejo de que sejam eternas as iniciativas de fomento à literatura, mesmo que ela (a literatura) exista da brevidade das vidas.

III
E seus poemas eram, de repente, como uma prece jamais ouvida
Que nossos lábios recitavam- ó temerosa delícia!
Como se, numa língua desconhecida,
Sem querer, falassem
Da brevidade
E da
Eternidade da vida...