sábado, 6 de fevereiro de 2016

Queremos passar pelo rio vermelho!

Sou fascinada pelo mundo das crianças!
Elas são dotadas de uma inteligência emocional que deixa qualquer adulto no chinelo. A forma como elas expressam seus pontos de vista umas as outras é tão eloquente quanto inocente. 
Esses dias eu tive o prazer de reviver uma parte da minha infância enquanto crianças brincavam de rio vermelho. Essa brincadeira requer um senso de observação apurado e consiste em deixar passar a ponte imaginária aquele que estiver usando o acessório designado pelo interlocutor. Pode ser uma blusa amarela, um relógio de pulso, um brinco de argola, etc. Aquele que não se enquadrar será perseguido e se for pego, assumirá o papel de interlocutor.
Comecei então a fazer uma reflexão entre a brincadeira e a vida.
Durante a nossa jornada, nos deparamos com pessoas das mais variadas personalidades. Observamos nelas as qualidades admiráveis e os defeitos detestáveis e assim, selecionamos e permitimos apenas alguns deles do lado de cá da "ponte" do nosso ser. Pare para pensar em cada pessoa que você conheceu e naquelas que permanecem como parceiras de caminhada. O que fez você distanciar de fulano e o que beltrano fez que te cativou?
Em instantes, você vai encontrar mil motivos para cada caso. 
Quando nos posicionamos perante o outro como expectadores, obviamente buscaremos as semelhanças que nos deixam mais confortáveis, ou seja, aqueles que partilham o mesmo pensamento, os mesmos gostos, as mesmas convicções, etc. Fazemos isso para evitar embates, somos instintivamente defensivos no que tange as mudanças.
Façamos um outro exercício. Por que FULANO se distanciou de você e o que VOCÊ fez para cativar beltrano?
Perceba, agora você precisa assumir a culpa, tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso do relacionamento. Nesse momento não há meio termo, você terá de vasculhar diálogos, posturas, memórias e uma infinidade de quesitos para desvendar seus êxitos e suas falhas. Mas falhar dói. Reconhecer nossos erros nos fará enfrentar mudanças e mudar requer a desconstrução muitas vezes, de uma vida inteira.
Mas realmente creio que um dos grandes segredos para a sabedoria é deixar de ser o "interlocutor" e olhar mais pelo lado de lá da ponte. Deixar de ser caçador de defeitos alheios para ser colecionador de qualidades. Ninguém é tão bom que não possa ter defeitos e ninguém é tão ruim que não possa ter qualidades. Precisamos praticar a tolerância para crescer, caso contrário, seremos nada mais que adolescentes rebeldes em plena maturidade. 
Atravessemos o nosso rio vermelho, as nossas falhas, defeitos e preconceitos para chegar ao lado mais belo da ponte: a paz.



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