quinta-feira, 28 de abril de 2016

O medo

A dor lancinante da prisão
De um medo que nunca esvai
É como uma  árvore que cai
Sem vento, raio ou explosão
E apodrece simplesmente por opção.

Quero livrar-me desta sombra aterradora
Que lança seu vulto impiedoso
Escurecendo qualquer vestígio luminoso
Da paz que outrora me fez vencedora.

Preciso escalar esse eu enegrecido de vez,
E puxar pra dentro um Sol
Para apagar certeiro a negridão dessa insensatez.

domingo, 24 de abril de 2016

E se...

E se todas as palavras fossem amáveis?
E se o bem comum fosse comum?
E se todos os animais fossem indispensáveis?
Não haveria tristeza em lugar algum.

E se a realidade fosse mais bonita que a utopia?
E se plantássemos o próprio alimento?
E se houvesse gratidão ao final de todo dia?
Não saberíamos o significado de sofrimento.

E se o sexo não fosse só por prazer?
E se o consumismo do mundo fosse a educação?
E se a maior beleza fosse a do ser?
Só restaria o caminho da evolução.

E se ajudar fosse um hábito?
E se toda vida fosse sagrada?
Uma arma não serviria para mais nada.

E se o vício fosse o amor?
E se a consciência fosse mais ouvida?
Toda vida ganharia mais vida.

E se essa poesia despertasse teu coração?
E se a reflexão virasse realidade?
Minha escrita teria cumprido sua missão.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O importante é sentir

O que é a vida senão a contemplação
E experimentação
De toda existência?

Um Sol só é quente
Para quem ousa banhar-se
De seus raios.

Uma Lua só é brilhante
Quando nossos olhos
Reluzem em sua direção.

Uma vida, só é bem vivida
Se soubermos olhar além das rosas e espinhos,
Também a haste que os mantém de pé.

Um crepúsculo só ganha sentido
Quando gera a expectativa
De um lindo anoitecer ou amanhecer.

A expectativa é o gatilho
De todo passo e
De toda palavra.

Ela é a criança inocente
Que sorri e que chora
Facilmente.

Vem dela não somente
Os sonhos mas também
As desilusões.

Ela é o frio na barriga
De quem desce a rua íngreme
Numa corrida aventureira.

Eis a beleza da vida!
Ir sem saber ao certo onde chegar,
E partir sabendo que o importante é sentir.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nada sei. Amém!

Ainda não sei se o belo céu azul
E os degradés esverdeados das montanhas
São reflexos dos olhos apaixonados
Ou das almas tristes.

A baiana namoradeira espia por cima do muro.
A natureza transforma-se mais rápido que o homem.
O Sol aquece a Terra e rebate a sua luz à Lua,
Mas a Lua permanece fria...

E sem notar que esse verde
E o azul dos céus e das águas
Não são comuns no vasto Universo
Seguimos mesquinhos os narizes enfiados no umbigo.

Quem irá parar para contemplar as formigas
Que carregam enfileiradas folhas picotadas?
Quem irá inclinar-se ao espelho do lago
Para ver que reflexo as águas têm de ti?

Os dias não são corriqueiros.
As escolhas são!
E lentamente todos escolhem esconder
O medo de apaixonar.

Apaixonar pela plenitude do novo.
Apaixonar pela sabedoria das mudanças.
Apaixonar a liberdade trazida pela coragem
De abandonar os hábitos anciãos.

Preferem seguir a vida organizada
Mesmo que para isso,
Assumam a bagunça transtornada
E a dor de escravizar-se.

Ah que bom seria
Acordar todo dia satisfeito
Por não saber direito
O que nos aguarda o dia.

Quem sabe no meio do caminho
As flores falem baixinho
Que o pote de ouro que buscamos
Vem do sorriso do bouquet que entregamos.

Quem sabe num banho de mar
Uma onda venha nos ensinar
Que muitas vezes é preciso recuar
Para depois avançar.

Quem sabe num dia ensolarado
Encontramos um novo jeito acalorado
De acabar com a frieza
Que nos esconde a beleza.

Ainda não sei se o belo céu azul
E os degradés esverdeados das montanhas
São reflexos dos olhos apaixonados
Ou das almas tristes.

Tudo o que sei
É que não é a ignorância que limita o saber.
É o saber tudo que amputa a abundância
Do nosso viver.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sorria, sempre!


 O que são grandes momentos senão a consciência dos mesmos?

Ora, um bebê mesmo que planejado, surge a partir do conhecimento de sua existência e não do dia exato em que foi concebido. Assim também acontece com a felicidade.

Quem sabe ela esteja no livro que aguarda silente na prateleira o dia em que mãos e olhos curiosos hão explorá-lo. Talvez, ela anda escondida na aula de dança que só vem à mente quando um filme romântico exibe dançarinos à meia luz, ou então, na viagem aventureira com mochilão nas costas e cabana montada no meio do mato. Mas quero te levar além!

Pense no que te faz sorrir. Puxe os flashes de tudo o que fez brotar um sorriso intenso, gostoso, daqueles que contagiam, como gargalhada de bebê.

Logo você terá voltado à infância, no dia em que bravamente escalou uma árvore. No dia em que desceu velozmente com sua bicicleta na rua íngreme, com vento bagunçando os cabelos e frio na barriga. No dia em que fez o maior golaço na escola e foi levantado pelos colegas. No dia que encontrou um passarinho caído e cuidou dele até vê-lo voar. No dia que viu o broto do seu feijão no algodão. No dia que levantou a corda de varal que servia de rede de vôlei na rua para os carros passarem. Ou naquela noite em que vocês decidiram estourar pipoca numa panelha velha em um fogão improvisado com tijolos na calçada. Ou da debandada geral depois de ouvir um grito de um colega após horas de estórias de terror.

Vamos, eu tenho certeza que está se identificando. Mas não para por aqui. Sei que a adolescência é sinônimo de felicidade e vou te provar!

Lembra do dia que largou o uniforme azul marinho e finalmente vestiu as calças jeans? Fala a verdade, você se sentiu o máximo!  E aquela ansiedade pela primeira aula do colegial? Os materiais estavam prontos praticamente um mês antes das aulas! Teve ainda aquele dia inesquecível que seus amigos decidiram brincar de “batizar” os tênis uns dos outros. E o correio elegante das festinhas juninas da igreja? Todo mundo queria ganhar um.  Impossível não lembrar o primeiro beijo, desengonçado e envergonhado. E do dia que ganhou um anel feito de lacre de pão de forma. E a camiseta escolar com assinatura de todos os colegas. E aqueles cadernos com diversas perguntas para responder. E dos bailinhos de garagem. Tanta memória boa!

Mas a vida continua e nos tornamos adultos. Aqui parece que as coisas vão estacionar... Mas não vão!
Até aqui você conseguiu perceber, ou melhor, relembrar quantas coisas memoráveis aconteceram em sua vida.

Às vezes, tudo o que a gente precisa para acalmar os ânimos é respirar fundo e buscar a sabedoria da gratidão. Sei que parece clichê, principalmente se você está passando por muitas dificuldades, mas eu te peço um voto de confiança, afinal, as melhores receitas da vida costumam mesmo ser simples!

A alegria quando se conquista o primeiro emprego é tão boa quanto gastar o primeiro salário! Você logo sai contando para todo mundo e a auto confiança ganha força. E aquela reunião importante em que você teve que discursar na frente de todos, vai dizer que não foi uma aventura? E a menina linda que cruzou o teu caminho e te deixou maluco? E o dia em que você teve coragem de chamá-la para sair? Lembra o que sentiu quando ela aceitou?
Agora a aliança de compromisso não é mais feita de lacre de pão de forma. É de prata. Fala sério, você ficou nervosão na hora de encarar o futuro sogrão! Lembra da primeira grande briga por ciúme? E da reconciliação? Lembra do pedido de casamento? Cada um o faz de um jeito especial. É quando os dois dizem sim um ao outro que se inicia uma nova jornada, uma nova família.

Família...

Como foi quando soube que seria papai ou mamãe?  Lembra o que foi dito no início?
Levou um tempo até você receber a notícia... Mas o seu filho já estava lá!

A felicidade é como o vento, está em todo lugar, mas a gente só sabe quando sente! Você não tem o controle do vento, mas sabe o que prefere sentir!

Se mesmo após toda esta leitura você ainda não tiver motivos para sorrir, eu digo: sorria sem motivo! Afinal, as melhores sensações da vida simplesmente não têm explicação!