quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nada sei. Amém!

Ainda não sei se o belo céu azul
E os degradés esverdeados das montanhas
São reflexos dos olhos apaixonados
Ou das almas tristes.

A baiana namoradeira espia por cima do muro.
A natureza transforma-se mais rápido que o homem.
O Sol aquece a Terra e rebate a sua luz à Lua,
Mas a Lua permanece fria...

E sem notar que esse verde
E o azul dos céus e das águas
Não são comuns no vasto Universo
Seguimos mesquinhos os narizes enfiados no umbigo.

Quem irá parar para contemplar as formigas
Que carregam enfileiradas folhas picotadas?
Quem irá inclinar-se ao espelho do lago
Para ver que reflexo as águas têm de ti?

Os dias não são corriqueiros.
As escolhas são!
E lentamente todos escolhem esconder
O medo de apaixonar.

Apaixonar pela plenitude do novo.
Apaixonar pela sabedoria das mudanças.
Apaixonar a liberdade trazida pela coragem
De abandonar os hábitos anciãos.

Preferem seguir a vida organizada
Mesmo que para isso,
Assumam a bagunça transtornada
E a dor de escravizar-se.

Ah que bom seria
Acordar todo dia satisfeito
Por não saber direito
O que nos aguarda o dia.

Quem sabe no meio do caminho
As flores falem baixinho
Que o pote de ouro que buscamos
Vem do sorriso do bouquet que entregamos.

Quem sabe num banho de mar
Uma onda venha nos ensinar
Que muitas vezes é preciso recuar
Para depois avançar.

Quem sabe num dia ensolarado
Encontramos um novo jeito acalorado
De acabar com a frieza
Que nos esconde a beleza.

Ainda não sei se o belo céu azul
E os degradés esverdeados das montanhas
São reflexos dos olhos apaixonados
Ou das almas tristes.

Tudo o que sei
É que não é a ignorância que limita o saber.
É o saber tudo que amputa a abundância
Do nosso viver.


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