sábado, 7 de maio de 2016

Arabescos de Deus (À MINHA MÃE)

Mãe,
Toda vez que ouço Debussy sinto paz.
Não a mesma que envolve os teus abraços
Não a mesma que sai dos teus olhos
Mas daquela que se encontra dentro de sonhos
Escondidas num segredo infantil
Desses que se cruza os dedos
Para selar o juramento.

Mãe,
Cruze os dedos agora.
Quero contar-te um segredo
Para que fique guardado
No íntimo mais profundo
Talvez, na alma.

Sabe, tenho muito medo da despedida...
Mesmo sabendo da eternidade que nos sonda
E mesmo acreditando na verdade da continuação da vida,
Eu tenho medo.

Ninguém além de você saberia dizer as palavras certas
Para acalentar esse meu coração tão bagunçado.
Ninguém além de você conhece tão bem meus defeitos
A ponto de tratá-los com tua tamanha misericórdia.

Mãe,
Vamos fazer um pacto?
Já ouviu a música Arabesque de Debussy?
Peço que a ouça com atenção.
Toda vez que ela tocar será um sinal para conversarmos.
Essa será a nossa música, agora e para sempre.
Assim, quando não mais estivermos perto uma da outra,
Bastará a melodia para estarmos novamente juntas.
A música atravessa qualquer barreira.

Perdoe-me por ter um amor tão egoísta...
É que a sua presença me faz muito bem.
Saber que tenho alguém que me ama tão profundamente
Faz a minha própria vida ter um valor inestimável.

Hoje sou filha e mãe, nessa ordem.
Primeiro eu fui cuidada e agora eu cuido.
E quero que saiba, aqui há um colo mais evoluído
E uma força que herdei de ti.

Sendo assim, mãe, não tema coisa alguma
Pois da mesma forma que me ama, eu te amo.
Sempre que precisar, pararei o que quer que eu esteja fazendo
Para atender o que quer que clame.

Os arabescos de Deus são nossos laços
Desenhados sob a forma de um amor eterno
E na eternidade não faltarão abraços
Prometidos em nosso pacto fraterno.
















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