segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cinzas da noite

A noite farta-me de dúvidas...
Há um sereno denso e frio que me cerca.
Inútil lutar...
Aos poucos faço amizade com o inimigo
Que nasce em mim por minha culpa
E joga xadrez com meus sentimentos
Avançando cavalos indomáveis
Rumo às mágoas ingenuamente escondidas.

Tenho feridas que não me pertencem
E curas desgarradas.
Busco um abraço assertivo de algum amigo
Que me foge.

Que palavras tenho eu
Para descrever um espaço
Num enorme breu?

O mistério é cinzento...
É o meio termo entre o preto e o branco.
Não há lados para escolher, posto que qualquer escolha
Que o envolva se resume em devaneio.

A noite me cala mas não me pacifica.
A Lua não apareceu para mim.
As estrelas só brilham no pensamento
Quando este último consegue me enganar.

Fecharei meus olhos.
Quem sabe essa dor que não é dor
Decida colher lágrimas
Em outro lugar.








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