quarta-feira, 29 de junho de 2016

Canção da Chuva

Barulho de chuva dá sono.
É a mãe natureza que vem ninar
Numa canção que
Poucos ouvem
E que vou lhe mostrar:

Chhhhove, Chhhhove
Chhhhia no telhado
Enchhhhe o rio
Molha o solo abençoado

Pinga, respinga
Plic, plac, plu
Nina em meu amor
Esse que vês a olho nu.
      


terça-feira, 14 de junho de 2016

Planos... Quantos planos!

Eu tinha planos... Ahh quantos planos!
Sonhava alto, trabalhava com voracidade, plantava suor para colher a certeza de que estes passos não andariam em vão. Eu pensava que era dona de mim, dona de um destino cuidadosamente planejado. Eu era menina...
Sabe a criança que a gente olha brincando no parque fazendo castelos de areia e inventando magia? Eu era essa criança, só que sem magia. Era apenas uma menina que se achava mulher enquanto buscava alcançar castelos, títulos e coisas fúteis. Quantas vezes busquei nas vitrines o preenchimento de um vazio que nem nome tinha. Quantas e quantas vezes, tendo aparentemente tudo, eu chorei. Tentei me enganar, achava que estava no caminho certo afinal, alguém um dia falou que o caminho certo era o mais difícil. E como era difícil cercear os tantos sonhos infantis que brotavam na minha alma para viver uma vida adulta, chata e um tanto egoísta. 
Então algo aconteceu... 
Brotou dentro de mim a mais pura semente transformadora que um ser humano pode ter: uma criança. 
Essa criança crescia no afago mais caloroso, e eu... Eu voltei a sonhar. Por ela e para ela eu jurei um ninho de amor, de confiança, de carinho. Por ela eu cultivei uma alma mais infantil, no intuito de devolver a pureza com que seus olhos me fitavam.
Eu tinha planos... Ahh quantos planos tolos! 
Hoje eu tenho o sorriso mais belo e o abraço mais gostoso.
Hoje eu tenho uma semente frutificada pelo desejo simples de fazer feliz.
Hoje eu tenho estas palavras, esculpidas na verdade mais pura e intensa: filho, você é a fonte que dá a significância do meu viver.
Hoje eu não faço mais planos. Quero apenas amparar seus sonhos. 
Quero ser o melhor que consigo ser e, quem sabe assim, ser um dia a lembrança boa que te fará sorrir.








Nariz poluído

Aquele nariz coça
E não há pulga ali
É o ar puro da roça
Com árvores a florir

O vento danado
Espalha o pólen pelo ar
Pegando de inesperado
O homem urbano a espirrar

Virou imenso chafariz
“Um lenço por favor!”
Pede cobrindo o nariz

Então vem o agricultor
Oferta um guardanapo puído

Ao amigo de nariz “poluído”.

domingo, 12 de junho de 2016

Amor Maduro

Eis que um dia
Seguirá teu coração
Não pelas flores ou canções
Nem por promessas ao vento

Pois o sentimento adulto
Não gosta de fantasia
Ele não quer apenas um momento

Prefere um pássaro na mão
Para soltá-lo ao vento

E na certeza de tê-lo amado
Verdadeiramente amado
Sabe que o pássaro voltará

E este
Não mais pousará na mão
Mas sim nos ombros

E cortará suas asas
Pois tem a certeza
De que ao seu lado

Para sempre quer ficar.



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Poetei?

Me pus a fazer poesia
Mas não soube rimar
Não ouso nem chamar de poema
Esse meu dilema.

Dizem que é preciso ter lirismo.
Fui buscar no dicionário...
Vi que é só mais um nome chique
Que se dá ao sentimentalismo.

Então eu percebi e
Sem querer ela nasceu
Quando a angústia me apertou
Da dúvida que irrompeu:

Poema ou poesia?
Na verdade nem importa!
Larguei mão da indagação pois
Me distraí com um mosquito na porta.

Eu senti nojo
Quando o esmaguei.
Será que é lírico o suficiente
Quando digo que o matei?
Será que é porque rimei?

Se poetei eu não sei...
Só sei que senti nojo
Quando um mosquito
Na porta esmaguei.





quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nos passos de Deus

Olhei para as minhas mãos
Ainda jovens, revestidas de uma pele
Que de tudo já sentiu.

Estes dedos que transcrevem a mente
A reflexão do íntimo, mais íntimo
Do que ninguém nunca viu.

Quero uma vida mais longa
Que a linha da minha palma
Pois o que desejo vem da alma.

Que meu tempo seja suficiente
Para ver crescer minha semente
Presenteada por Deus.

E que eu possa andar sem medo
Cultivando a fé
De que meus passos seguem os Seus.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ábaco

Já vi um ábaco
Mas nunca ousei entendê-lo.
Que interessa o asfalto
A um peixe?

Contei todas as bolinhas.
Eu sei contar!
Só não sei usar o ábaco...




terça-feira, 7 de junho de 2016

A praga do súbito

E a inspiração me abandonou.
Me deixou refém do cortador de grama do vizinho
Do estrondo infernal das suas lâminas
Que cortam muito mais que grama
Amputam pensamento
Aniquilam paz.

Ele desligou a máquina...
Eu corro!
Tento mergulhar a mente em algo profundo
E quando uma frase quase nasce
O barulho vem e me embaralha.

Tento ao menos descrever ou
Poetar o incômodo torturante.
É como um dedo cortado com papel
Uma ferida minúscula, doída
Esquecida num instante
E relembrada a cada vez
Que lavamos as mãos.

Então o cortador emudece de vez
Mas já estou desconcertada...
Agora não tenho mais o som estridente
E nem o silêncio de antes

Para escrever.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Liberdade

Vou bagunçar as letras do alfabeto
Trocar o L pelo P
Trocar o E pelo O
Trocar o T pelo E
Trocar o R pelo S
Trocar o A pelo I
Trocar o S pelo A
Quero transformar tudo em poesia!

Mas se o T é E
Tudo ficaria eudo...
E não é que calhou?!
Eudo é variante de Eudoro
Nome de origem grega
Significa: liberal!
Viu como a liberdade tudo pode?
                

sábado, 4 de junho de 2016

A escultura do anjo

Vi um anjo triste no jardim do museu.
Não sei se o semblante dele
Era a lembrança de alguém que não morreu
Em seu gélido e pálido coração.

Ele não tinha nome algum
Não fora batizado por ninguém
Era apenas uma pedra trabalhada
Abandonada ali pelo desejo de alguém.

Gárgulas entalhados em gigantes portais
Riam do desatino do pobre anjo
Que já nem se importava mais.

Eu segurei em sua mão
E pude sentir profundamente
A paz que existe na solidão.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Encontro na Mantiqueira - Literatura em foco dias 17,18 e 19 de Junho

Hoje quero falar sobre um assunto muito importante: cultura!
Para quem não sabe, há oito anos ocorre um movimento literário muito intenso denominado Festival da Mantiqueira em São Francisco Xavier,  distrito de São José dos Campos.
Este evento sempre foi de suma importância para a valorização cultural regional e disseminação da literatura. 
Acontece que este ano, infelizmente o evento foi abandonado pelo governo do Estado sob a justificativa de que era necessário uma descentralização da verba. 
Por sorte, pessoas do bem e verdadeiros amantes da literatura se reuniram num esforço conjunto para não deixar a peteca cair e o evento será realizado nos dias 17, 18 e 19 de Junho em São Francisco Xavier.
Se você ama a literatura, acredita que a solução para os diversos problemas que enfrentamos em nosso país está em uma educação de qualidade e tem o desejo de apoiar iniciativas culturais sérias, eis a chance. Acesse o link abaixo e veja como pode ajudar:

http://encontronamantiqueira.com.br/colabore.html

O grupo Litheratrupe estará lá, abrilhantando o evento e mostrando que nossa região é um grande berço literário cheio de talentos preciosos.

Quero parabenizar a todos os parceiros que abraçaram a causa com tanto carinho, e todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem para que a literatura como um todo continue a realizar grandes transformações nas pessoas e consequentemente, no mundo.

Conto com vocês!

Um abraço forte,

Lya Gram






Bodas de Diamante ( Para Vera e Rubens)

Sessenta anos se passaram...
Mas o amor não passa.
Ele se renova sob a mesma base sólida
Daquela promessa curta de apenas duas palavras: eu aceito.

No juramento testemunhado por Deus
Ambos seguiram juntos pelas estradas ramificadas da vida.
E por mais bifurcações que encontrassem,
Por mais obstáculos que impusessem,
Os caminhos lhes reservavam o mesmo destino:
O da felicidade.

Bodas de diamante...
Permita-me lhes contar uma curiosidade:
A palavra diamante deriva do grego adamas e significa indestrutível.
O diamante só é indestrutível devido ao fato de ter sido lapidado sob
As mais adversas condições geológicas.

Com o amor também é assim.
Ele se funde em duas pessoas que se juraram cuidar
Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

E a mesma terra que cobre e forma
O precioso diamante,
Também acolhe, registra e eterniza os passos
De todos aqueles cujas lembranças
Trazem um lapso de alegria.

Aqui e agora estamos diante de uma certeza irrefutável:
É com a graça desse lindo semear
Que nasce a eternidade frutificada
No mais puro amor.