terça-feira, 7 de junho de 2016

A praga do súbito

E a inspiração me abandonou.
Me deixou refém do cortador de grama do vizinho
Do estrondo infernal das suas lâminas
Que cortam muito mais que grama
Amputam pensamento
Aniquilam paz.

Ele desligou a máquina...
Eu corro!
Tento mergulhar a mente em algo profundo
E quando uma frase quase nasce
O barulho vem e me embaralha.

Tento ao menos descrever ou
Poetar o incômodo torturante.
É como um dedo cortado com papel
Uma ferida minúscula, doída
Esquecida num instante
E relembrada a cada vez
Que lavamos as mãos.

Então o cortador emudece de vez
Mas já estou desconcertada...
Agora não tenho mais o som estridente
E nem o silêncio de antes

Para escrever.


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