domingo, 31 de julho de 2016

Menino bom da mãe

Que alegria criança
Saber que nasceste
Fruto de um amor caridoso
Que na doação mútua
Enraizou uma nova vida.

Que olhinhos expressivos
E alma inocente
Futuramente
Espelho majestoso
Para tanta gente.

A ti doei minha coragem 
E sorriso
Para que a alegria e a perseverança
Sejam a constância
Que selará em teu nome
Um sinônimo de paz.

Menino bom da mãe
Sei que és a melhor parte de mim
E o melhor presente de um Pai
Que em algum momento disse:
Filha, frutificai!

E só depois que fui o teu berço
Entendi a unicidade
Perante Deus.

Menino bom da mãe
Siga sempre na verdade
Pela verdade
Com compaixão
E simplicidade.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Sol tem que brilhar

A flor venceu o cimento.
Em meio à concretude imposta
Ela acreditou no solo fértil
E insistiu em ver a luz do Sol
Que sempre esquentou suas raízes.

Não foi preciso mais que uma
Minúscula rachadura.
Nada além de um breve Sol,
Desses amenos que se exibem
Após a tempestade.

A sementinha se viu livre
E pela primeira vez pôde ver
O amarelo alaranjado penetrando
O vão rendido.

Do matinho crescido
Abre-se uma pequena flor
Também amarela
Irradiando a cor de um Sol
Que há muito tempo já brilhava
Dentro de si.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Aprendiz de Mim

Onde está a flauta doce
Diante dessa ventania chamada vida?

Onde está a chuva
Quando a garganta engole seco?

A alegria pode até RIMAR com utopia
Mas não deve, jamais, RUMAR à ela.

Poderia dizer que o novo dia é uma nova oportunidade, mas...

Como fazê-lo, se o coração que carrego ainda é antigo, e os dias me são apenas o rastejar de ideais sonhados?

Não possuo a estória perfeita e nem o juízo perfeito.

Não posso ser a invenção de mim.

Sou apenas uma menina, por vezes mulher, que sabe sentir mais do que deve, que sonha mais do que realiza, que se dobra às dores deste mundo insano e que escreve para desabafar os momentos em que a voz da alma fala mais alto.

Sou assim, indefinidamente, aprendiz de mim.










segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vale a pena existir

Talvez a felicidade seja o semblante de um sorriso
A sinestesia de uma lembrança boa
Dessa que invade o pensamento
E termina num suspiro saudoso

Como o primeiro beijo
Desengonçado e verdadeiro
Ao pé de uma árvore num entardecer
Com a despedida envergonhada
De rostos enrubescidos

Ou as tardes na casa da vó
Com chá de funcho e pão caseiro
O aroma de alfazema nas vestes
E o olhar brilhoso da despedida

Ou ainda o abraço de mãe
Plácido colo de quem sofreu nossa dor
O término de um primeiro amor
A queda da bicicleta e tantas
Tantas derrotas mais

Ah ventura deliciosa!
Se a memória carrega tantos momentos
E de algum deles nasce um lapso de riso
Quem um dia terá coragem de dizer
Que nunca foi feliz?

Pois a alegria surge de instantes
Que podem não durar para sempre
Mas não dizem por aí que recordar é viver?
Eu digo mais:
Evocar um passado bom
É reconhecer que a jornada
Sempre valeu a pena.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

As Vozes do Poeta

O poeta tem muitas vozes.
Na palavra vento há o uivo, mas não somente isso.
Há o tango das folhas desprendidas das árvores
E o riso dos pássaros equilibristas
Nos galhos bambos.

O poeta tem muitas vozes.
A palavra computador tem
O tec tec das teclas e do pensamento.
Tem o cricrilar das noites mal dormidas
E o estalar das ideias no fogo das criações.

O poeta sabe que letras isoladas
São apenas letras desperdiçadas.
Ele sabe que não existem pensamentos vagos
Posto que nenhuma memória é ínfima,
Do contrário,
Não haveria razão para vir à tona.

Há muito ele entendeu
Que onde há silêncio,
Há sinestesias completas
Lapidando a alma.

O poeta tem muitas vozes.
Tem muitas vidas e
Muitas mortes.
Tem a fênix ressurgida das palavras.
Tem as dores exorcizadas em poesia.
Tem a poesia por intuição.

O poeta tem tantas vozes
Que nem lembra mais
Qual delas é a sua primogênita.
Mas ele não se importa, pois,
Sabe que quando perde algo de vista
Ele ganha uma eternidade
Na busca.