segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vale a pena existir

Talvez a felicidade seja o semblante de um sorriso
A sinestesia de uma lembrança boa
Dessa que invade o pensamento
E termina num suspiro saudoso

Como o primeiro beijo
Desengonçado e verdadeiro
Ao pé de uma árvore num entardecer
Com a despedida envergonhada
De rostos enrubescidos

Ou as tardes na casa da vó
Com chá de funcho e pão caseiro
O aroma de alfazema nas vestes
E o olhar brilhoso da despedida

Ou ainda o abraço de mãe
Plácido colo de quem sofreu nossa dor
O término de um primeiro amor
A queda da bicicleta e tantas
Tantas derrotas mais

Ah ventura deliciosa!
Se a memória carrega tantos momentos
E de algum deles nasce um lapso de riso
Quem um dia terá coragem de dizer
Que nunca foi feliz?

Pois a alegria surge de instantes
Que podem não durar para sempre
Mas não dizem por aí que recordar é viver?
Eu digo mais:
Evocar um passado bom
É reconhecer que a jornada
Sempre valeu a pena.


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