quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Mar e a Vida

Toda vez que me vejo diante do mar me pergunto a razão pela qual Deus o fez assim, tão imponente e abundante.  Então eu reparo no som das ondas e nos desenhos borrados do Sol se desmanchando a cada vai e vem. Eu O ouvi ali e quase pude vê-lo à beira mar, deixando pegadas na areia e catando conchinhas. E Ele assim dizia:
- Filha, a tua vida e o mar são semelhantes. As ondas representam os altos e baixos e embora não perceba, as derrotas e tristezas têm um valor inestimável à evolução do espírito. Veja, as águas se recolhem, se reúnem e voltam em grandiosas ondas, tão poderosas e consistentes que chegam a mergulhar na areia sólida trazendo consigo as conchas sedimentadas em seu interior. Quando algo lhe acomete, é exatamente isso que acontece. Você chora, entristece, fragmenta sentimentos diversos e depois reúne o essencial de cada momento vivenciado e volta à caminhada mais forte. E com forças renovadas você transborda sabedoria e a derrama aos pés de outro caminhante. A luz do Sol refletida na água são as vontades superficiais que borram e se desmancham facilmente. Por outro lado, o calor do Sol é o sonho. Ele dura mais porque atinge profundamente todos os sentidos humanos. Há mais vida no fundo do mar do que em sua superfície, sendo assim, saiba que a tua parte mais viva também encontra-se em teu interior. E nunca julgue. Uma superfície turbulenta pode esconder profundezas pacíficas e uma superfície calma pode esconder profundezas agitadas. Eis a razão pela qual fiz o mar assim, tão grandioso: para que todos pudessem enxergar o movimento da vida. E não se engane, os maiores milagres sempre estarão no trivial.




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