quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Entrevista para o canal Pode Cornetar

Boa noite queridos leitores!

Hoje eu quero apresentar para vocês o canal Pode Cornetar que vem ganhando força na divulgação da literatura e que pretende ir além, mobilizando a cultura na cidade de São José dos Campos e região. Sob a iniciativa do escritor Eduardo Caetano, o canal já entrevistou grandes nomes da literatura brasileira como o professor Mario Sergio Cortella, a escritora Clarice Sabino, os escritores Wally Wild, Zack Magiezi entre outros.
Deixo abaixo um link com um bate-papo muito bacana.
Abraços literários,

Lya Gram

https://www.youtube.com/watch?v=texQosKlbhQ

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Boneco de Papel Machê

Havia uma menina. Ela era meiga, delicada, magricela, pernas finas. Corria pela casa, penteava o cabelo de suas bonecas enquanto cantarolava uma canção qualquer. Inventava passos de um ballet que nunca aprendera. Juntava jornal velho num balde d'água para fazer papel machê. Moldava pessoas, sempre pessoas. Maria daqui. João dali. Eles eram seus amigos. Estavam sempre sorrindo. Adoravam conversar com os animais. Em um terreno, margaridas acolhiam joaninhas engraçadas, algumas amarelas, outras laranjas. A menina e seus amigos se bastavam. Aquele era o mundo para ela. Um mundo onde as pessoas só sorriam, conversavam, brincavam e até trabalhavam, mas trabalhar era divertido. Pedaços de madeira empilhados formavam a base da casa, e o teto ficava aberto de propósito para poder ver as estrelas. O regador chovia e as plantas agradeciam dançando. As pedras redondas viravam montanhas e as mais achatadas eram caminhas e sofás. Carros passavam na rua, mas a menina nem reparava. O meio de transporte dela era o pensamento. Seus amigos de papel machê eram a sua obra mais pura, mais doce. Tinham mais vida e mais cor. Com delicadeza, a menina mantinha seus amigos envernizados para manter o brilho do olhar acalentador e amoroso que tanto a acalmava. Esses olhares pareciam confortá-la da angústia das brigas lá dentro de sua casa. Esses olhares diziam "ei, tente sorrir, isso também vai passar". A garotinha era quieta, mas dentro dela cabiam todas as palavras. Quando percebia alguma injustiça, argumentava igual gente grande. Chegou a fazer campanha em prol da flor ressecada e feia no canto escuro do muro. Toda flor era bonita para ela. Brigou com as formiguinhas que picaram seu pé, aterrou a casinha delas e depois chorou de remorso. Construiu um castelo em sinal de arrependimento.
Os anos se passaram e a menininha cresceu. O mundo antes gigante, se apequenou. Algo mudou. As pessoas reais não têm brilho nos olhos. O sorriso é vago, miúdo, raro. Os ombros são arqueados, a voz ríspida, as palavras pontiagudas. Guerras são travadas o tempo todo. Todos gritam suas dores, imensas dores. Alguns ferem para se fazer entender.
Onde está João? Cadê Maria? - A menina pergunta para si. Procura, procura numa lassidão que só ela sabe. Ela está só numa multidão cinza. Ela vê suas cores ralas, quase indo embora.
Eis que surgem João e Maria:
- Mamãe, mamãe!
Aqueles olhos... Aqueles olhos tinham o mesmo brilho envernizado dos bonecos de papel machê.


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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Temor e coragem

Não temo a noite escura
Do céu das bocas infames
E nem o gesto indelicado
Dos preconceitos

Não temo o rude olhar
De pedras que pulsam
No peito duro
Do egoísmo

Não temo as mentiras
Que salivam famintas
A carne doce
Da felicidade

Não temo a indiferença
De quem não sabe
Fazer a diferença

Não temo os pés
Que se colocam à frente dos meus pés
Na intenção do tropeço

Não temo o choque
Profundo e marcante
Da ingratidão

Não temo o rastro das lágrimas
Que chovem no rosto
Que me encara no espelho

A coragem que me veste
Vem do véu imaculado
De um Verbo que anda ao lado
Da justiça e da verdade.




sábado, 25 de agosto de 2018

Eu sou o silêncio

Palavras me faltam
Pensamentos me sobram
O ócio é um vulto
Sua distância, um insulto

Tenho dentro de mim todos os sons
Choros, risos, cânticos, gritos...
Gritos... Gritos!

Falta-me a voz!
Olhos abertos
Não vejo nada.

O que quero, não posso tocar
O que toco, não posso querer...
O que é teu?
O que é meu?
Quem sou eu?

Pensando bem... eu sei!
Salve Deus, eu sei!
Sou tudo isso!
Tudo isso que não tem nome, sou eu.
Eu sou o silêncio.



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Notícias boas!

Boa noite queridos leitores!

Hoje quero compartilhar com vocês duas notícias muito bacanas.
A primeira, trata-se de um e-mail recebido da Chiado Editora com a aprovação de uma poesia minha para a antologia "Além da Terra, Além do Céu" que está em sua terceira edição e já é considerada uma das mais expressivas da editora.

A segunda, é que fui convocada para participar da FLIM - Festa Literomusical do Parque Vicentina Aranha sob a curadoria do escritor Marcelino Freire. A FLIM acontecerá nos dias 14, 15 e 16 de Setembro. Não percam!

terça-feira, 31 de julho de 2018

Prêmio Guarulhos de Literatura 2018

Boa tarde queridos leitores!

Ontem eu tive a grata surpresa de que meu livro "São Tantas Vozes", publicado pela Telucazu Editora, passou para a segunda fase do Prêmio Guarulhos de Literatura. Da mesma editora, concorrem "A peregrinação das folhas caídas" de André Kondo e "Frugais Transgressões" de Gilson Yoshioka. Estarei na torcida e independente do resultado, deixo minha gratidão ao idealizador do concurso, Auriel Filho, por nos dar a chance de mostrar nosso trabalho. Vida longa ao Prêmio Guarulhos de Literatura! Parabéns a todos os selecionados! Boa sorte para nós! :-)


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Antologia Eterno Inverno - Editora Jogo de palavras

Boa noite queridos leitores!

É com grande alegria que recebi a notícia de que tive um texto selecionado para figurar na antologia Eterno Inverno da editora Jogo de Palavras. Essa antologia foi organizada por Érica de Oliveira e João Paulo Hergesel (ganhador do prêmio Barco a Vapor de Literatura 2018).
Para conhecer este belíssimo trabalho, acesse o link:

https://www.jogodepalavras.com/antologias.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Bem-me-quer, malmequer

Sórdidos são os sorrisos que me abrem
Sujos de palavras rançosas
Que surgem do desatino de um imaginário doente e infeliz

Escarram para o alto
Uma pobreza inventada
Em um labor odioso
Para angariar a pena da falta de coragem.

Olha-me! Olha-me! - suplicam dolorosos
Esperando uma única palavra
Que os liberte de sua própria penalidade.

Esfregam-me na lama
Esperando que as flores do meu jardim
Venham sucumbir pétala por pétala.

Esquecem que as lágrimas
Regam um nascer de palavras que jamais morrem.

Trecho do novo livro - Hermético (Em breve)



terça-feira, 5 de junho de 2018

O monge e a gratidão

Certa vez, um aprendiz caminhava com um monge pelo vale e de repente, deixou cair um livro.
Outra pessoa que passava por ali, recolheu o livro e o devolveu ao aprendiz.
Esse então, curvou-se diante do benfeitor e disse:
- Gratidão amigo.
O benfeitor acenou e seguiu caminho.
O monge, vendo a cena, perguntou:
- Vi que você usou a palavra gratidão para com aquele rapaz. O que é a gratidão para você?
O aprendiz, todo orgulhoso, então respondeu:
- É ser grato, mestre. Grato por tudo.
Então, o monge continuou caminhando em silêncio. O aprendiz respeitou o silêncio, andando ao lado do mestre.
Em determinado momento, o monge deixou escapar de sua mão, uma folha de papel. Uma mulher que ali passava, o recolheu e o entregou ao monge. Ele se curvou diante dela e disse:
- Gratidão. Há algo que eu possa fazer para você como forma de reconhecimento por sua gentileza?
Ela respondeu que não necessitava de nada. Ele acenou para a mesma e seguiu seu caminho.
Olhando para o horizonte, e com passos lentos e firmes, o monge falou:
- A gratidão é uma palavra derivada do latim gratitudinis que significa reconhecimento. Quando sentimos gratidão, há que se praticar o profundo reconhecimento à mesma altura do benefício que nos foi concedido, do contrário, poderemos correr o risco de perder seu verdadeiro propósito. Não basta ter o reconhecimento intelectual, cognitivo. Não basta agradecer, dar graças à alguém que lhe fez algo bom. Precisamos buscar o vínculo, o comprometimento com as pessoas que nos são alento. Só assim, a gratidão passará a ressoar no seu verdadeiro e profundo sentido.




quinta-feira, 8 de março de 2018

Per a/feição.

Quantas vezes ouvi dizer que a perfeição não existe...
Eu tento acreditar, mas logo vejo a mulher.
Essa que vira templo de vida e que espera amadurecer dentro de si o filho que a fará entender profundamente a sua magnitude.
Essa que chora o seio ferido e em seguida sorri o sorriso de um bebê bem alimentado.
Sim, ela é perfeita.
É como a rosa, tem seu perfume, tem seus espinhos... Tem tudo o que precisa, nem mais, nem menos.
Vai dizer que não é perfeito o olhar de uma mãe que desperta de madrugada e olha pela janela, na ansiedade de ter o filho baladeiro são e salvo dentro de casa?
E o que dizer da menina mulher, que chora o amor não correspondido, que devora uma barra de chocolate e que depois ri de si mesma?
Tem também a esposa que afaga o ombro do marido dizendo que tudo vai dar certo. Ela que acalma com um beijo toda insegurança, toda dor, toda angústia, mesmo que para isso, engula suas próprias inseguranças, dores e angústias.
Tem aquela que nasceu para ser mulher e que enfrenta todo preconceito em prol da paz de sua alma.
O fogo é imperfeito só porque ele queima? E o que dizer de sua luz?
O céu desaba tempestades, é verdade, mas a água vem junto e dela bebemos.
Tudo é como tem que ser.
A mulher foi feita para ser o sinônimo de virtude, afeto e carinho.
Perfeição. Per afeição. Para afeição.
Pense nisso.





terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Para ela

Amor materializado
Leveza, pureza, doçura
Alguém que carrego além do ventre, muito além, na alma
No coração, neste coração pequeno transbordado de alegria
A menina que virá ensinar, aprender e com a graça de Deus, crescer feliz, sempre feliz.