terça-feira, 5 de junho de 2018

O monge e a gratidão

Certa vez, um aprendiz caminhava com um monge pelo vale e de repente, deixou cair um livro.
Outra pessoa que passava por ali, recolheu o livro e o devolveu ao aprendiz.
Esse então, curvou-se diante do benfeitor e disse:
- Gratidão amigo.
O benfeitor acenou e seguiu caminho.
O monge, vendo a cena, perguntou:
- Vi que você usou a palavra gratidão para com aquele rapaz. O que é a gratidão para você?
O aprendiz, todo orgulhoso, então respondeu:
- É ser grato, mestre. Grato por tudo.
Então, o monge continuou caminhando em silêncio. O aprendiz respeitou o silêncio, andando ao lado do mestre.
Em determinado momento, o monge deixou escapar de sua mão, uma folha de papel. Uma mulher que ali passava, o recolheu e o entregou ao monge. Ele se curvou diante dela e disse:
- Gratidão. Há algo que eu possa fazer para você como forma de reconhecimento por sua gentileza?
Ela respondeu que não necessitava de nada. Ele acenou para a mesma e seguiu seu caminho.
Olhando para o horizonte, e com passos lentos e firmes, o monge falou:
- A gratidão é uma palavra derivada do latim gratitudinis que significa reconhecimento. Quando sentimos gratidão, há que se praticar o profundo reconhecimento à mesma altura do benefício que nos foi concedido, do contrário, poderemos correr o risco de perder seu verdadeiro propósito. Não basta ter o reconhecimento intelectual, cognitivo. Não basta agradecer, dar graças à alguém que lhe fez algo bom. Precisamos buscar o vínculo, o comprometimento com as pessoas que nos são alento. Só assim, a gratidão passará a ressoar no seu verdadeiro e profundo sentido.




2 comentários:

  1. Sabe Lya, teu jeito de escrever me encanta. "Precisamos buscar o vínculo, o comprometimento com as pessoas que nos são alento." Talvez seja por falta de vinculação ao outro, na dimensão da gratidão, o porque de estarmos tão expostos à esta epidemia de depressão mundial.

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    1. Obrigada pelo comentário Ricardo. É verdade, a depressão é resultado dessa falta de conexão com o outro. A superficialidade das relações não preenche o coração. Aí aparece o vazio e a sensação do não pertencimento.

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