quarta-feira, 7 de abril de 2021

Quando há saudade

Hoje eu quero abraçar você que chora a saudade. Deixe-me envolver suas lágrimas com o afeto dessas palavras que vertem diretamente da alma. É verdade que o corpo pode morrer e junto dele, a voz, o tato, o toque... Mas há algo presente em toda vida que nunca se vai: o amor plantado. O amor vence todas as barreiras, ele é eterno. Ele é o címbalo que toca e liga o Céu e a Terra. Talvez essa dor que agora remexe as areias da tristeza pela ausência esteja tornando turva a água dos seus olhos. Porém, saiba que toda areia decanta em maré calma. E quando isso acontece, a vida se exibe majestosa e linda. A boa lembrança é assim. Ela emerge a vida do jeitinho que foi, mas agora, você a sente em toda plenitude. A roda de conversa no café da tarde nunca foi tão intensa como agora é. Todo detalhe se torna grande. A percepção aumentou porque agora a conversa é de alma para alma. Haverá o tempo em que você será capaz de sentir a presença querida dos seus afetos no coração sem qualquer tipo de pesar. Isso se dará porque a força do entendimento e da fé serão alicerçados a cada manhã vencida. Não tema o presente e nem o futuro. Toda grande estrada nasce de pequenos passos, e os seus, ainda que trôpegos, deverão rumar um lindo destino. Nenhuma solidão alcançará aquele que tem no mundo a fraternidade. Você jamais estará sozinho ou esquecido, pois já consta aqui, neste humilde pensamento desejoso de todo o bem em sua vida. Continue escrevendo a sua história, pois é você a memória viva dos teus laços. Receba de mim um afetuoso abraço em forma de palavras.   



quinta-feira, 1 de abril de 2021

Deus, Pai de todos

 Querido Pai,

Venho hoje agradecer a Sua Santa providência na minha vida. Esse período de Páscoa me trouxe tanto ensinamento, que sinto-me agraciada. Páscoa significa renovação, renascimento, e eu renasci. Com a força da Tua misericórdia, eu renasci. No meio das dores que me forjavam, senti um amor nunca antes experimentado. Teus anjos Senhor, lindos e resplandecentes sorriam de forma tão genuína... Parecia um encontro de amigos leais e cúmplices, uma roda de conversa boa. E eu os vi. Participei daquele encontro com o coração grato por não ter ficado sozinha. E aquela sensação se fixou de tal forma, que hoje sinto-me mais confiante e calma. Tuas rosas me tocaram na alma. Senhor, Louvado seja o Seu Amor. Louvado seja Cristo, que me pegou pelas mãos. Louvados sejam os santos anjos. Louvada seja Maria, mãezinha amorosa. Pai, eu Te amo muito. Obrigada por tanto ensinamento. Conte comigo sempre. Receba minha humilde gratidão. 

sábado, 13 de março de 2021

O pouso da gaivota

Acordei no meio da madrugada para escrever. É estranho como acontece de ter tantas palavras precisando verter suas águas e ao mesmo tempo lutando para se manter apenas no lado de dentro. Não sei se permaneço navegando a superfície desse mar revolto ou se me disponho a prender o ar para mergulhar e ver o que tem no fundo. Ambas as situações exigem desassossego. O mar de fora pede equilíbrio e flexibilidade e o mar de dentro pede fôlego e coragem. Eu bem que tento abarcar tudo, mas quando o horizonte não revela um porto, me sinto à deriva. As mãos estão calejadas, talvez eu tenha segurado o timão tempo demais. E não importa onde eu jogue a minha âncora, as areias serão remexidas. Uma voz me diz: enfrente! Outra voz me diz: em frente! Eu preciso escolher... Eu preciso escolher? Precisar é verbo desesperado. Então eu largo o timão. Deito-me no assoalho do navio e percebo uma gaivota no mastro. Ela parece serena. De repente mar, timão, âncora, areia ou porto se turvam na evaporação do pensamento e sinto como se apenas a gaivota existisse. E ela me acolhe sem nenhum tipo de julgamento ou pergunta. Ela não me solicita ou ensina nada, apenas me olha. E eu já não me sinto mais à deriva. Eu me levanto, iço a âncora e volto para o timão. Ainda não sei onde está o porto, mas já não importa.  Porque eu sei que aonde quer que o vento me leve, basta olhar para o alto do mastro e perceber que a gaivota nunca me abandona, porque eu também sou ela.




quinta-feira, 11 de março de 2021

Filhos, literaturas e museus


Quem me conhece bem, sabe o quanto eu amo a literatura, a arte no geral, a boa música e os museus. A literatura é um refúgio para mim, é onde encontro muitas possibilidades de viajar e sonhar. Também encontro vozes que conseguem dizer tudo o que eu, muitas vezes, não consigo. Neste mundo imediato, poder parar e silenciar é essencial. Então desde cedo eu fiz questão de levar meus filhos aos encontros literários para oportunizar a eles essa ferramenta. Eles muitas vezes não sabiam o que esperar de uma festa literária. Mas ao chegar naquele ambiente colorido, de palavras que eles nem conheciam, uma alegria diferente nascia: a de conhecer pessoas que comungavam do amor pela palavra. A gente lia livros infantis, outras crianças se aproximavam, faziam perguntas, contavam felizes suas experiências e tudo virava festa. Logo eles estavam correndo pelos arredores, explorando sem medo cada tenda e vivenciando personagens. Eu também já apresentei museus para eles, mesmo ouvindo que era cedo demais ou que não era lugar para crianças. Sim, não vou mentir, em alguns momentos pode ter sido cansativo, afinal, qual a graça de parar em frente à uma escultura ou quadro que não interage, não  mexe, não fala ou pula? Mas em outros momentos, eu via um deslumbramento e muitas questões surgiam: mamãe, como isso foi feito? Mamãe, porque esse anjo está sem roupa? Mamãe, olha esse peixe! Mamãe, então esse era o telefone de antigamente? Onde estão os botões? Esse carro não tem motor? Sem perceber, o passeio despertou a curiosidade e tudo ficava mais e mais pessoal. Dizer que é simples levar crianças em museus é não levar em conta que vários desses museus exigem distanciamento, peças não podem ser tocadas, perímetros não podem ser ultrapassados, etc. Então, sim, é desafiador. Mas que tipo de mãe eu seria se passasse por lugares tão incríveis sozinha? Pode ser cedo para eles terem a percepção do que um museu pode oferecer. Mas eles vão crescer, e ainda que não gostem de museus, terão uma recordação para reviver. Eu não sei quanto tempo esses lugares vão permanecer no mundo. Mas no meu coração, essas feiras, museus e musicais guardam mais do que suas belas obras: guardam a memória esculpida por cada um e vivida por todos.


 



















































sábado, 6 de março de 2021

Interpretação de um sonho

 Esta noite tive um sonho... Entrava num corredor abobadado, com teto metálico e pé direito alto. Eu não sabia onde estava, mas sabia que era para estar ali. Eu andava calmamente, confiante, como se estivesse na própria casa. Talvez estivesse... Ao dobrar a esquina e virar à esquerda, vi alguns homens vestidos com túnicas brancas carregando grandes velas como numa procissão. Uma oração instantaneamente invadiu o meu pensamento, e uma força interna emergiu sem pedir licença. Havia uma música suave de fundo e mesmo de olhos fechados, parecia que eu enxergava tudo. As palavras bênção, família e Cristo reverberavam no profundo da alma e uma corrente perfumada ventilava suavemente os meus cabelos. Eu me virei e à minha direita, uma pessoa a quem eu chamava de irmã olhava tudo com grande encantamento. Eu sorri, senti que ela pôde perceber a energia que aquele lugar emanava. Então eu acordei. Acordei cantando em meu interior a música linda que me amanheceu. Nem todos os sonhos são assim, tão explícitos. Alguns carregam elementos-chave, enigmas que deverão ser acolhidos pelo prisma dos sentimentos. Eu procuro sempre desapegar do conceito usual das coisas quando se trata de sonhos. Acredito que as imagens dos sonhos comunicam-se conosco de maneira mais profunda. No sonho desta noite eu pude ver a luz que emana de cada um. Pude sentir toda cortesia e respeito. Pude silenciar de um jeito leve e gostoso. A mente estava vazia, mas plena de cada instante vivido. Bênção, família, Cristo... Esse mantra da interseção Divina foi recebido com muita gratidão ao bom Deus.



sexta-feira, 5 de março de 2021

Um tesouro chamado Alana



Princesinha linda da mamãe, deixa eu te contar uma coisa. Quando você chegou ao meu ventre, senti muita paz. Isso foi tão forte em mim que esse sentimento norteou o seu nome. Alana significa verdadeira paz, mas além disso, também significa rocha. Eu achei a combinação ideal para o que desejava para você: uma vida de paz interior e muita força para encarar os desafios deste mundo. E apesar de você ainda ser muito pequenina, eu já noto essa força na sua alma. Você se faz entender, já sabe delinear muito bem as suas vontades e tem o riso fácil. Me perdoe se você chora e eu desespero. Me perdoe quando a enxurrada de pensamentos me desconecta da sua presença encantadora. Você e seu irmão, tão pequenos e enfrentando uma pandemia com tanta sabedoria... E eu que sou adulta, não seguro o choro. Sabe meu anjinho, adulto também sente medo. Mas o bom é que ele passa. Por isso, obrigada por estar nessa jornada comigo. Obrigada por incentivar o meu melhor. Obrigada por me chamar de mamãe. Obrigada por segurar nas minhas mãos para me chamar para dançar. Obrigada por pedir tão docemente o mamá de suco. Obrigada por me deixar ser o pateta na brincadeira e por gostar das minhas bobagens. Obrigada por desenhar um coração no box do chuveiro e dizer que é para a mamãe. Obrigada por me chamar para ver o céu. Obrigada, obrigada, obrigada!







 

quinta-feira, 4 de março de 2021

Meu lugar seguro

Meu lugar seguro é onde a palavra se manifesta

E reverbera pensamento, emoção e sentimento.

Meu lugar seguro é onde eu posso falar sem ninguém precisar ouvir porque no final das contas, o diálogo é entre eu e a minha alma.

Aqui eu derramo a essência do momento, e me vejo, me leio, me calo, me interpreto, me conheço.

Entre aqui se quiser, e seja bem-vindo. Meu diário nunca será secreto porque sei que nada é realmente meu. Sim, este lugar é seguro porque não exige nada, apenas existe. Aqui eu posso chegar sem ser notada e sair sem adeus. Aqui eu posso sonhar sem pudor ou castigo. Aqui eu posso encarar um furacão, paralisar um raio ou construir minha caverna. Aqui eu posso voar, beijar as musas e dançar com os anjos. Aqui eu posso precipitar as dores e rancores, medos e desacertos. 

No meu lugar seguro tudo é amizade e convergência. Aqui os questionamentos não são um afronta mas sim, uma busca. Aqui a matéria é o que brota na fonte das ideias e o alimento é inesgotável. Este é meu conforto e a minha partilha. 

Eu amo a palavra e o que dela pode nascer. Se desejas, entre neste berço, afinal, meu lugar seguro também pode ser seu.








quarta-feira, 3 de março de 2021

Reticências

Somos responsáveis pelo que dizemos e pelo silêncio...

Somos responsáveis pelas ações e pela inércia...

Somos responsáveis pelos sonhos e pela realidade...

Somos responsáveis pelo plantio e pela colheita...

Somos responsáveis pelo consciente e inconsciente...

Somos responsáveis pelo ser e pelo não ser...

Somos responsáveis pela gratidão e pela ingratidão...

Somos responsáveis por tudo o que vem do viver.

V(IDA) é uma jornada cujo rumo à Deus pertence. E eu entrego minha vida, minhas escolhas, minhas palavras e ações. Eu entrego tudo. Como na parábola dos talentos, eu recebi a vida. Quero devolver com gratidão no peito toda benevolência. Não nego meus espinhos, e por vezes, a rosa fica no broto. Ela deseja florir, deseja cumprir o ciclo, mas há um tempo que precisa ser respeitado. Mas eu continuo a regar o jardim, com lágrimas, com risos breves, com medo de errar e com vontade de acertar. 

Por hora Pai, embora eu não mereça, me deite no Teu colo. Deixa eu sentir novamente a suavidade do 
Teu acolhimento. Me ensina Pai, a voz pacífica e o pensamento reto. Me pegue pela mão, me guia e me abençoa. Me ajude a compreender e aceitar o que for justo. Deixa eu descansar nos Teus olhos. Recolha em Teu coração as fagulhas de amor que existem em mim. E se for da Sua vontade, que esse fogo aumente e me permita ser apenas Luz.




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Foi pouco

 


Vó, a senhora se foi muito cedo e não tive a oportunidade de te conhecer melhor. Mesmo assim, tenho algumas lembranças da sua doçura. Lembro-me de um dia em que uma tempestade tenebrosa de raios e trovões me assustou muito. Eu ainda criança, uns quatro anos talvez, sentia-me angustiada na sala quando ouvi a sua voz dizendo:
- Vem fiinha, vem no colo da vó. Eu fui e me deitei. A senhora acariciou os meus cabelos e eu adormeci. Tantos anos se passaram e eu ainda sinto sua presença nessa lembrança que de quando em quando me abraça.

Vô, com a graça de Deus eu pude conviver um pouco mais com o senhor. Um trabalhador do campo, um homem de bem, honesto, carinhoso. E apesar do derrame que te tirou a capacidade de andar e de falar, o senhor ainda conseguia manter no rosto esse sorriso lindo. Sabe vô, como eu gostaria de poder voltar no tempo sabendo das coisas que sei hoje. Como eu queria ter te abraçado mais, ter estado mais ao seu lado. O senhor achava que dava trabalho, mas não meu vô, o senhor sempre foi um anjo bom nas nossas vidas. Ensinou a resiliência e a força de vontade. Ensinou perseverança e humildade. Ensinou que tempos difíceis não nos impede de sorrir. Foi uma honra poder dividir o quarto com o senhor. 

É uma pena que o destino tenha levado vocês tão cedo.  Queria ter ouvido as suas histórias de vida,  ter absorvido mais da sabedoria do campo e da fé. Hoje vocês estão em algum lugar, levando a presença linda para quem tiver sorte. Quem sabe um dia nos seja permitido um encontro. Enquanto isso, seguirei carregando os melhores momentos no meu coração. Amo vocês!