domingo, 17 de janeiro de 2021

A palavra é uma espada

A palavra é uma espada. Ela corta para os dois lados pois pode se tornar uma arma de ataque ou defesa. Ela pode se erguer na luta dos bons com verbos que suplicam a ação na esperança pacífica dos ideais ou pode sangrar no ódio, na dor e na vingança. Honrar a palavra é reconhecer seu potencial criador. É perceber a si mesmo nas intenções com que são proferidas, pensadas ou redigidas. Se houver dúvida sobre qual palavra usar, prefira o silêncio. Um sábio e querido Mestre uma vez disse que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai dela. É preciso entender a sacralidade da palavra e levar a sério o poder que emerge dela. Palavra é vibração, é chamamento... É a oração que nos arrepia a espinha na certeza de encontrar o caminho da Providência. A palavra é uma espada que pode ter o fio reluzente, capaz de conduzir como um farol, ou ter corte que segrega, reduz, mata. A palavra não é uma espada destinada para a guerra, mas um instrumento da sabedoria. Ninguém deveria erguer essa espada sem traçar nobre propósito.  Um guardião da paz pela palavra, jamais arremessa a espada, mas sim, a oferece num ato gentil e humilde. E é essa oferta, pensada, meditada, forjada sob o esforço da paciência que definirá o teor da luta.




domingo, 3 de janeiro de 2021



Meus filhos

Antes de vocês eu era uma menina tola. Meus objetivos eram tão pequenos e eu os considerava enormes. Batalhava para ter o que o mundo dizia ser correto e bom. Um emprego bom, um salário razoável, uma carreira exemplar. Pasmem meus filhos, essa era a minha vida antes de vocês. Não quero com isso, dizer que não devemos trabalhar e buscar alguns objetivos. O trabalho edifica e constrói muita coisa boa. Mas essa é uma parte tão efêmera da vida, que nortear o caminho sob esse viés é um enorme erro. Depois que vocês nasceram, uma nova perspectiva se abriu para mim. De repente, ganhar dinheiro e fazer carreira deixou de ser prioridade. Dinheiro nenhum compensaria a distância do sorriso doce de vocês. A minha maior promoção na vida é ser mãe. Deus me achou digna de carregar vocês no ventre. Não sei bem o que fiz para merecer essa dádiva, e ainda que eu não consiga alcançar a magnitude dessa chance e cometa erros durante a jornada, nunca vou deixar de agradecer a Deus pelo nascimento de vocês. Lembro de pegar vocês ainda frágeis e pequeninos no colo, sentindo amor e medo ao mesmo tempo. É como se eu segurasse em meus braços o mais precioso e fino cristal. É como segurar um vaso raro e se ver pequeno diante dele. Sim meus amores, eu me senti pequena. Ali eu pude ver o meu real tamanho. Antes de vocês eu não me conhecia. Eu que era toda cheia de razão e de certezas, tremi. Todo o meu conceito sobre o amor havia se atualizado e dia após dia era e ainda é, desconstrução atrás de desconstrução. Antes de vocês o amor era um sentimento de fraternidade e ternura. Era algo de mim para o outro. Depois de vocês, o amor se traduziu em unicidade. Eu sou com vocês. É muito mais forte e intenso. Jamais vou esquecer do meu seio vertendo leite minutos antes de vocês acordarem para mamar. No amor, tudo é sobre sentir e na maior parte das vezes, um olhar basta para expressá-lo. Eu vejo, meus amores. Eu vejo a alma doce de vocês. Ainda que o cansaço me acometa e eu me distraia e tropece, nada poderá arrancar de mim o desejo de levantar e seguir adiante. Porque a minha vida é sobre nós. E por vocês, eu vou me superar quantas vezes for. Eu amo vocês demais! Obrigada por tudo! Obrigada Deus, por me fazer terreno fértil. Com a Sua graça e companhia, a jornada será cumprida. Eu confio!