sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Foi pouco

 


Vó, a senhora se foi muito cedo e não tive a oportunidade de te conhecer melhor. Mesmo assim, tenho algumas lembranças da sua doçura. Lembro-me de um dia em que uma tempestade tenebrosa de raios e trovões me assustou muito. Eu ainda criança, uns quatro anos talvez, sentia-me angustiada na sala quando ouvi a sua voz dizendo:
- Vem fiinha, vem no colo da vó. Eu fui e me deitei. A senhora acariciou os meus cabelos e eu adormeci. Tantos anos se passaram e eu ainda sinto sua presença nessa lembrança que de quando em quando me abraça.

Vô, com a graça de Deus eu pude conviver um pouco mais com o senhor. Um trabalhador do campo, um homem de bem, honesto, carinhoso. E apesar do derrame que te tirou a capacidade de andar e de falar, o senhor ainda conseguia manter no rosto esse sorriso lindo. Sabe vô, como eu gostaria de poder voltar no tempo sabendo das coisas que sei hoje. Como eu queria ter te abraçado mais, ter estado mais ao seu lado. O senhor achava que dava trabalho, mas não meu vô, o senhor sempre foi um anjo bom nas nossas vidas. Ensinou a resiliência e a força de vontade. Ensinou perseverança e humildade. Ensinou que tempos difíceis não nos impede de sorrir. Foi uma honra poder dividir o quarto com o senhor. 

É uma pena que o destino tenha levado vocês tão cedo.  Queria ter ouvido as suas histórias de vida,  ter absorvido mais da sabedoria do campo e da fé. Hoje vocês estão em algum lugar, levando a presença linda para quem tiver sorte. Quem sabe um dia nos seja permitido um encontro. Enquanto isso, seguirei carregando os melhores momentos no meu coração. Amo vocês!



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