quinta-feira, 11 de março de 2021

Filhos, literaturas e museus


Quem me conhece bem, sabe o quanto eu amo a literatura, a arte no geral, a boa música e os museus. A literatura é um refúgio para mim, é onde encontro muitas possibilidades de viajar e sonhar. Também encontro vozes que conseguem dizer tudo o que eu, muitas vezes, não consigo. Neste mundo imediato, poder parar e silenciar é essencial. Então desde cedo eu fiz questão de levar meus filhos aos encontros literários para oportunizar a eles essa ferramenta. Eles muitas vezes não sabiam o que esperar de uma festa literária. Mas ao chegar naquele ambiente colorido, de palavras que eles nem conheciam, uma alegria diferente nascia: a de conhecer pessoas que comungavam do amor pela palavra. A gente lia livros infantis, outras crianças se aproximavam, faziam perguntas, contavam felizes suas experiências e tudo virava festa. Logo eles estavam correndo pelos arredores, explorando sem medo cada tenda e vivenciando personagens. Eu também já apresentei museus para eles, mesmo ouvindo que era cedo demais ou que não era lugar para crianças. Sim, não vou mentir, em alguns momentos pode ter sido cansativo, afinal, qual a graça de parar em frente à uma escultura ou quadro que não interage, não  mexe, não fala ou pula? Mas em outros momentos, eu via um deslumbramento e muitas questões surgiam: mamãe, como isso foi feito? Mamãe, porque esse anjo está sem roupa? Mamãe, olha esse peixe! Mamãe, então esse era o telefone de antigamente? Onde estão os botões? Esse carro não tem motor? Sem perceber, o passeio despertou a curiosidade e tudo ficava mais e mais pessoal. Dizer que é simples levar crianças em museus é não levar em conta que vários desses museus exigem distanciamento, peças não podem ser tocadas, perímetros não podem ser ultrapassados, etc. Então, sim, é desafiador. Mas que tipo de mãe eu seria se passasse por lugares tão incríveis sozinha? Pode ser cedo para eles terem a percepção do que um museu pode oferecer. Mas eles vão crescer, e ainda que não gostem de museus, terão uma recordação para reviver. Eu não sei quanto tempo esses lugares vão permanecer no mundo. Mas no meu coração, essas feiras, museus e musicais guardam mais do que suas belas obras: guardam a memória esculpida por cada um e vivida por todos.


 



















































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