segunda-feira, 26 de julho de 2021

Documentário Três Estranhos Idênticos - Ensaio sobre uma ciência desumana

 


Boa tarde, queridos leitores!

Hoje eu assisti o documentário Três Estranhos Idênticos no Netflix e confesso que chorei de raiva e tristeza. Trata-se de um reencontro inesperado de três gêmeos separados na infância. Até aí a notícia é linda! O que estava por trás da separação porém, é de causar náuseas! Não vou contar com detalhes as tramas dessa história, pois espero que vocês não se detenham às minhas impressões e assistam para tirar suas próprias conclusões. Mas eu venho usar este espaço para dizer que a ciência sem humanidade deve ser sempre combatida e denunciada. Somos seres humanos dotados de múltiplas habilidades e se não soubermos progredir sem maiores danos ao meio ou aos semelhantes, então, nada nos separa da ignorância animal. Pensar que um ato tão generoso e lindo como a adoção pode ser usado para um estudo obscuro e perverso, mostra com toda clareza a importância de estarmos conscientes e despertos a TODO MOMENTO. Pensar nesses irmãos, ainda pequeninos, sendo testados e avaliados, sem que seus pais soubessem o REAL PROPÓSITO, dá nojo. Agir às escuras, ainda que se tenha como objetivo um SUPOSTO AVANÇO CIENTIFICO, é desleal, é desumano, é desonroso. Saber que enquanto as crianças brincavam, eram meros objetos de estudo, sendo rotuladas por supostos "doutores", esses últimos, para mim, representantes da mais PERFEITA IGNORÂNCIA, é cruel. Então NÃO, NÃO SE PODE TUDO EM NOME DA CIÊNCIA! No caso citado, o dano causado às famílias foi devastador de todas as formas possíveis. Por isso eu digo, cerque-se de VIRTUDES, só assim você saberá diferenciar o bom do ruim. Cerque-se também de SABEDORIA para agir com mais assertividade. Não se cale diante da MALDADE, nada, jamais justificará o ABSURDO. 

Por fim eu encerro dizendo que TUDO O QUE É EM PROL DO AMOR SÓ DEVE NASCER PELO AMOR.   

sábado, 24 de julho de 2021

Diálogo: paciência

 O Mestre dirigiu -se à assembléia para discorrer sobre a paciência e perguntou aos aprendizes:

Para vocês, o que é a paciência?

O primeiro aprendiz disse então:

- Paciência é deixar que as coisas aconteçam no seu próprio tempo.

Outro aprendiz se levantou e disse:

- Paciência é dominar os instintos primitivos

Outro ainda ressaltou:

- Paciência é um estado de consciência superior

Muito bem! - Pontuou o Mestre. Agora que vocês já sabem o conceito de paciência, gostaria de saber como ela é praticada?

Um aprendiz então se pronuncia:

- meditando?

O Mestre então rebate:

- Hum... Talvez... Poderia nos mostrar?

O aprendiz então, acende uma vela, um incenso, coloca uma música suave no ambiente, senta-se sobre as pernas em posição ereta e fecha os olhos. Enquanto todos fazem o mesmo, o Mestre se levanta e sai da sala sem perturbar a meditação. Ele então retorna com uma sacola grande nas mãos e tocando suavemente nos ombros de alguns aprendizes, convida-os a seguir-lhe os passos. 

De dentro da sacola, o Mestre retira um pequeno tambor, um sino e uma corneta e entrega cada item aos aprendizes escolhidos. Fazendo um sinal com a mão, o Mestre então pede que cada um toque seu instrumento. 

O aprendiz que demonstrava a meditação deu um grande salto de susto. Todos ficaram olhando com estranheza e espanto ao ocorrido. Pedindo que os instrumentistas parassem de tocar, o Mestre diz:

- Paciência não é um estado a ser trabalhado em ambiente calmo e pacífico. O grande desafio da paciência é exercê-la enquanto o tumulto acontece. Recolher-se em meditação é válido, mas se queres saber se a meditação teve efeito transformador em sua vida, perceba se a sua postura permanece inalterada diante das adversidades. 







segunda-feira, 19 de julho de 2021

Chão de terra


 Aqui, neste chão de terra, sinto cheiro de pertencimento. Caminho a pé por estradas cheias de vidas passadas, presentes, futuras. Sujo feliz os pés com a poeira gentil, que num único passo rememora a grandeza do Criador. Sim, eu abro os braços para sentir o abraço do vento que carrega a energia linda de todo verde esperançoso. Aqui, casinha simples, chão de ardósia e rede na varanda, me sinto abundante, afortunada. Aqui, onde a manhã revela aos poucos o despertar dos animais, minha alma se mantém acordada e consciente dos porquês. Aqui, onde cada detalhe traz a mais pura sabedoria, longe das teorias mirabolantes e perto das vozes dos anjos. Pedaço de chão mais nobre não há. Aqui eu calejo feliz as mãos na enxada, pois todo amor que se dá à terra é recompensado três vezes mais. Aqui, a semente boa é reconhecida logo, pois a terra é fértil. Aqui, eu ouço mais, muito mais. Aqui a cidade é pequenina, mas na sabedoria da simplicidade, soube guardar memória. O coreto na praça, a pastelaria da esquina, a calçada de pedras... Aqui, onde as casas trazem impressas na fachada o ano de suas construções. Aqui onde as pessoas se cumprimentam, sorriso fácil. Aqui, nenhuma luz compete com as estrelas. Aqui, eu não acordo tarde para não perder o espetáculo do amanhecer. Aqui eu aprendo o que livro nenhum ensina. É aqui que eu mostro aos meus filhos a verdadeira vida e a verdadeira paz. Aqui, nós meditamos juntos sem nenhum tipo de ritual e a oração é a gratidão que nasce a cada flor recém aberta, ou pedrinha colorida, ou cães amorosos, ou rio sereno. Aqui, o caseiro é o mestre sábio, que faz do bambu um corrimão, de folhas secas o adubo, de cipós as amarras. Bendito seja esse chão de Deus! Benditas sejam as coisas simples! Benditos os que são terra ao acolherem um ser humano!

sábado, 17 de julho de 2021

Nascente



Espelho cristalino e puro

Trazes o céu ao chão

Afundas meus olhos nessa paz

E cravas na alma minha 

O manso correr das águas


Pacientemente tu moldas as pedras

Retiras brandamente pontiagudas formas

Doas a tua essência que é vida

E a simples pedra se transforma em

Pedra de rio  


As árvores deitadas no teu semblante

Moldam um cálice divino

E dele meu espírito bebe

Todo esplendor e beleza


Levas, na suave correnteza

Tudo o que desejo esquecer

E renovada no teu seio

Me inclino para enxergar

A nascente de uma face mais serena.



sexta-feira, 16 de julho de 2021

Diálogo: solitude

 O aprendiz caminhava ao lado do Mestre, quando ao longe avistou uma garça solitária à beira de um lago. Passou um tempo apenas contemplando a ave, que passeava lentamente por entre os galhos. Esperava que a ave estivesse à caça de alimento. O tempo passava e a garça apenas passeava graciosamente para lá e para cá. Eis que o aprendiz se pronuncia:

- Mestre, aquela garça parece perdida. Caminha lentamente e não caça. Deve se sentir triste e solitária.

O Mestre então lhe dirige uma questão:

- Quando você está sozinho, sente-se triste e solitário?

- Não, nem sempre... - responde o aprendiz

- Pois bem, é possível que a garça esteja apenas no estado de solitude. Esse estado não promove o sentimento de abandono atribuído à solidão. Esse estado promove o silêncio interior, a contemplação de si e do mundo. Cada pequeno e lento passo é uma experiência completa. - diz o Mestre

- Entendo... - disse o aprendiz - E como trabalhar essa solitude em um mundo tão conturbado e demandante?

Recolhendo uma folha seca caída ao chão o Mestre responde:

- Absorvendo do presente o que ele pode oferecer com o coração grato. Uma folha seca, apesar de parecer inútil, é capaz de denunciar o movimento do vento. Praticar a solitude em um mundo conturbado não é tarefa fácil, mas à medida que você encontra as próprias palavras para as coisas que acontecem, vai sedimentando no teu ser as lutas pelas quais vale a pena viver.







terça-feira, 13 de julho de 2021

A flor recusada

 Era uma vez, uma menina que adorava cultivar plantas. Dedicava uma boa parte do seu tempo misturando a terra, adubando e multiplicando mudas. Andava por todo lado com seus vasinhos, entregando-os como um presente a quem quisesse. Gostava de espalhar flores e sorrisos.

Certo dia, ao ofertar um vasinho, uma pessoa o recusou. A menina percebeu aquele semblante sisudo e desconfiado. A mesma ficou intrigada, afinal, que mal haveria num pequeno vaso de planta?

Recolhendo para si o vaso recusado, decidiu planta-lo num terreno próximo dali. Sempre que passava em frente, adubava e molhava a plantinha. Passado algum tempo, a primeira floração surge belíssima com cachos de pequenas flores brancas. Que alegria! A menina foi para casa buscar uma haste e linha para amarrar as flores e protegê-las do vento. Quando retornou ao longe na rua, viu a mulher que recusara o vaso, sentada na pequena mureta ao lado das flores. Com uma tesoura na mão, a mulher cortou o cacho de flores, colocou-as numa sacola, levantou-se e foi embora.

A menina, ao ver a cena, ficou sem entender. Aproximou -se da planta e derrubou algumas lágrimas. Eis que um anjo surge e pergunta:

- Por que choras?

- É que eu gostaria de entender... Ofertei um vaso para uma mulher que o recusou. Tempos depois ela surge e rouba as flores...

O anjo, enxugando-lhe as lágrimas disse:

- O cultivo cabe àqueles capazes de enxergar a flor antes de ela nascer. O bom coração é paciente, é lavrador. Semeia porque a semente não lhe falta, e por isso mesmo, não teme também a falta das flores, pois já sabe que sua beleza e seu perfume, jazem dentro de si.


terça-feira, 6 de julho de 2021

Diálogo: Ensinamento e ação

 O Mestre estava reunido com seus aprendizes e lhes perguntou:

- Irmãos, todo bom pensador entrega de si um ensinamento importante. O que vocês têm a dizer sobre isso?

Então, um aprendiz logo ergueu a mão e tendo o consentimento da palavra, disse:

- Lembro-me de Platão que disse: "tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo".

Outro aprendiz logo se pronuncia:

- Eu me recordo de Cícero: "Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la".

Outro também se faz ouvir:

- Pensei em Confúcio: "Aquilo que escuto, esqueço, aquilo que vejo, eu lembro e aquilo que faço, aprendo".

Muitos se pronunciaram, menos um aprendiz, que recolhido ao fundo, mantivera-se apenas observador.

O Mestre então, volta-se ao aprendiz calado, coloca sua mão direita em seu ombro e pergunta:

- E tu, que pensas?

- Ó Mestre, estava a anotar os pensamentos discorridos aqui nesta assembleia. Estava a conjecturar os pensadores aqui citados e o que ambos possuem em comum. Percebi que cada pensamento converge no tange à ação. Tantos anos se passaram e nós temos acesso às suas palavras, graças àqueles que se dispuseram a registrar suas descobertas em livros ou pergaminhos. Penso o que seria de nós se a aprendizagem tivesse que vir apenas da nossa própria capacidade de observação das suas ações. Estaríamos mesmo conscientes e despertos para absorver as lições no mesmo instante em que elas ocorrem? A conclusão a que chego, respeitável Mestre, é que a escrita, longe de ser filha do ócio, também é ação.

 


segunda-feira, 5 de julho de 2021

Diálogo: Bons exemplos

 O Mestre estava compenetrado a meditar, quando um aprendiz pede licença e lhe pergunta:

- Mestre, venho ao teu encontro para elucidar-me uma questão. As ações valem mais do que mil palavras, não é mesmo?

- Sem dúvida! - respondeu o Mestre

- Então, posso dizer que se eu sou bom exemplo através das minhas ações, elas falam por si só.

- Sim, falam alto.

- Bem... O que está me incomodando é que muitos bons exemplos já passaram pela humanidade, mas poucos os seguiram. Por que razão isso acontece?

- Isso acontece meu caro amigo, porque todos se colocam na posição de bons exemplos sem profundo exame de si mesmos. A pérola só nasce depois que reconhece a areia. A fome que se acha saciada rejeita o alimento.



sábado, 3 de julho de 2021

Palavras na garrafa

 Certa vez, um homem muito nervoso e agitado com os problemas que lhe eram apresentados encontrou-se com um monge e a ele dirigiu as seguintes palavras:

- Mestre, ensina-me a manter a paz diante dos problemas. Ensina-me a mansidão e o silêncio.

O monge, muito sereno e com olhar atento e acolhedor, colocou a mão levemente no ombro do homem e com muita gentileza o convidou a caminhar. Levando-o ao alto de uma colina, sentou-se no gramado e sem dizer palavra alguma, convidou o rapaz a fazer o mesmo. Passada quase uma hora, o monge entrega-lhe uma folha de papel e uma caneta. O rapaz, então pergunta:

- Mestre, o que devo escrever?

O monge então, aponta para uma garrafa de vidro, onde continham outras folhas de papel escritas, faz um gesto de gratidão com a cabeça levemente curvada e sai a caminhar.

De posse de caneta e papel, o homem então, decide escrever sobre seus sentimentos. Foi elencando cada situação incômoda até a decisão de pedir aconselhamento ao monge. Escreveu também sobre a natureza que o cercava naquele momento, sobre o vento e o cheiro das lavandas plantadas próximas à ele. Ao final de sua escrita, o homem depositou o papel dentro da garrafa e foi embora. 

Na semana que sucedeu, o homem viu-se novamente cercado de problemas. Percebendo que estava prestes à sucumbir aos nervos, decidiu voltar ao mosteiro para aconselhar-se com o monge novamente. Lá chegando, contou seus desafios e sua dificuldade em manter-se calmo e em silêncio. O monge, sem dizer palavra alguma, decidiu levá-lo ao alto da colina onde o convidou a sentar-se. Ao final de quase uma hora, entregou novamente um papel e uma caneta para o homem e foi embora.

O homem ficou sem entender... Já havia praticado aquele exercício, porém, esperava que o monge ensinasse algo diferente. Frustrado e já cético quanto ao método ensinado pelo monge, decidiu colocar o papel em branco dentro da garrafa e foi embora.

Alguns dias se passaram e mais situações desafiadoras se apresentaram. No auge do desespero, o homem então correu até o mosteiro, subiu sozinho a colina e com muita raiva, quebrou o pote de vidro. Tão logo recobrou a calma, percebeu o seu erro e agachou-se para juntar os papéis espalhados. Curioso, leu um papel, depois outro e outro... Lágrimas de intensa emoção rolaram pelo seu rosto. Ao final das leituras, o homem enrolou os papéis tais quais pergaminhos e levou-os consigo. Comprou uma nova garrafa de vidro, colocou os papéis dentro e devolveu-os ao seu lugar de origem. De posse de uma sacola, juntou os cacos do vidro e foi para casa. 

Já em seu lar, o homem decidiu colar os cacos da garrafa de vidro que quebrara. Enquanto fazia isso, foi se recordando das palavras que lera há pouco. Após a colagem, o homem decidiu colocar a garrafa em uma mesa central de sua sala, um local de grande evidência.

Os desafios começaram a surgir novamente, mas agora o homem já sabia o que fazer. Pegou um pedaço de papel e uma caneta e foi logo escrevendo seus sentimentos e depositando na garrafa de sua sala. Até que chegou um momento onde não mais era preciso o pote. O homem carinhosamente retirou a garrafa da sala e a guardou no sótão de sua casa. 

Muitos anos se passaram e a casa do homem, já falecido, fora vendida. O patriarca da nova família foi incumbido de levar algumas quinquilharias ao sótão e eis que encontra a garrafa do homem e seus escritos. O patriarca, ao ler os papéis, derramou algumas lágrimas e decidiu publicá-los em um livro.

Na contracapa do livro, a frase mais importante e famosa:

Sei que estas palavras não me livram dos males da vida, mas ao escrevê-las, eu passo por eles sob o efeito da mansidão e do silêncio.


  



quinta-feira, 1 de julho de 2021

A melhor companhia

Quando a maledicência tentar te envolver, envolva-a você com uma compaixão consciente de que palavras torpes provém de espíritos doentes. 

Quando te puserem deliberadamente sob testes ou provas, seja paciente. Theodore Roosevelt uma vez disse: 

“Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente”.

Quando duvidarem da tua moral, não repreendas. Siga fazendo o seu melhor e deixe que o tempo de Deus cumpra Sua justiça.

Quando te ofenderem, tenha piedade, pois não é sobre você. 

Quando usarem a verdade das tuas palavras para te ferir, retribua com o silêncio e perdoe. Vigie apenas as tuas próprias intenções.

Quando escarnecerem das tuas angústias e vibrarem o teu desalento, apenas ore. 

Quando a areia tentar turvar as águas da sua esperança, seja como a ostra e transforme areia em pérola.  

Quando usarem o medo para te oprimir, lembre-se que Cristo é contigo e não há tempestade que não se acabe sob Seu comando.

Quando forem ríspidos ou rudes, quando te faltarem com cortesia e respeito, não desanimes. Lembre-se, os humilhados serão exaltados.

Quando te oferecerem ódio e dor, ofereça o teu amor. 

E, se diante disso tudo, te impuserem a rejeição, não te esqueças que quem está com o Pai, está na mais poderosa e melhor companhia.