domingo, 15 de maio de 2022

Pai

Quando penso no Criador e no livre-arbítrio, penso no tamanho do Seu Amor e da Sua fé em nós. Dar-nos a chance de fazer nossas próprias escolhas é oportunizar a cocriação. Permitir-nos um caminho próprio é mandar a mensagem de confiança e esperança. E se não fosse assim? E se Ele não permitisse esse livre-arbítrio? E se não tivéssemos escolhas? 

Então, quando acreditamos que as Leis divinas são pesadas, não nos damos conta da sua benignidade. Não são regras que atuam contra nós e sim, a favor de nós. São regras que nos separam dos desatinos, das maldades, dos vícios... Houve bondade até nisso, porque poderia não ter nenhuma Lei, e nós estaríamos à deriva, sem qualquer direção. Não saberíamos diferir o certo do errado até que nos machucássemos muito. 

Deus nos protege sem nos prender, sem invadir. Ele permite que a gente saiba o que é cair porque estará lá para nos levantar e isso basta. É um Pai que senta tranquilo no banco do passageiro porque conhece todas as estradas. É um Pai que supre e garante o espírito acima de tudo. É um Pai justo, não ama este em prejuízo daquele. É um Pai de partilha, de união. É um Pai de imensa misericórdia.

E eu amo esse Pai, ah eu amo! Quero muito me aproximar, ainda que a passos lentos, ainda que errantes, ainda trôpegos... Desejo caminhar na direção dessa paz. 

Pai, volta Seus olhos para nós. Dá-nos a graça de esclarecer nossos espíritos diante das tormentas. Sopra ventos de alívio e brandura. Recorda-nos todos os dias do Teu amor. Que assim seja e os Teus anjos em coro digam amém. 







sexta-feira, 13 de maio de 2022

Filosofia do dia

Certo dia um peregrino chamou Jesus de bom mestre. Cristo em Sua imensa sabedoria respondeu:

- Por que me chamas bom? Bom é o Pai, e somente Ele.

Quem é bom na Terra e o que é ser bom? Quem é justo na Terra e o que é ser justo? 

Ainda que num ato caridoso eu ofertasse um prato de comida a um faminto, tão melhor seria se antes de praticar tal ato, eu o olhasse nos olhos e perguntasse o que lhe agradaria o paladar. Digo isso, porque nem tudo o que parece bom é realmente bom e nem tudo o que parece mal é realmente mal. Eu posso pegar um monte de argila, fazer o mais belo vaso e entregá-lo em sinal de meu amor e devoção. Uma atitude bonita, eu sei, mas... quem sabe um simples e grosseiro tijolo tivesse mais serventia para uma casa em obras. Por vezes o mal reveste-se de sutilezas, e arquitetado nos cantos escuros das supostas boas intenções, vai corroendo tal como ferrugem, margeando todas as fraquezas. O mal não quer ser reconhecido, pois isso seria o primeiro passo para despistá-lo. Quem há, corajoso o suficiente, de encarar as névoas do interior e forte o suficiente para dissipá-las diante de todos os olhos? Pois, se você não se humilha vem o mundo e o faz por si. Mesmo quem nada deve, como foi o caso de Jesus, por vezes é pisoteado pela ignorância. O bem tem esse quê missionário, que suporta as injustiças por conhecer a sua finalidade e age burilando incessantemente. 

As sagradas escrituras dizem que a voz de Deus se assemelha ao som estrondoso dos trovões, tamanha potência. 

Cristo fez barulho, ah como fez!

Todos os que vieram em prol das coisas importantes e verdadeiras fizeram barulho. Foram testados, alfinetados, subjugados, na maior parte das vezes, renegados pela maioria. Uma maioria acostumada ao conforto das ilusões, escravos dos próprios egos.

Galileu passou o resto da vida preso por propor que a Terra girava em torno do Sol. Teve que censurar sua própria afirmativa para não perder a vida.

Muitos morreram defendendo o que era correto e verdadeiro, pois não defendiam a si mesmos mas sim, propósitos maiores do que eles.

Quando eu penso em todos esses casos, não vejo vilões ou mocinhos, vejo apenas a derrota da ignorância, que jamais será capaz de abafar a verdade.