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Mostrando postagens de Outubro, 2015

A porta e o vento

As portas do destino encontram-se entreabertas. Escancará-las ou fechá-las é função do livre arbítrio, e este diz não existir regras. Ser livre é viver desobrigado, é estar lucidamente embriagado, como quem ouve música para emudecer o mundo. Um dia, alguém abriu a porta do racismo, mas o palpitar dos corações apaixonados pela igualdade a fechou e deixou um recado pregado nela: Não abra! Pode causar vergonha. Atrás da porta da intolerância ouve-se grito, desespero e pelo vão dela escorre sangue inocente, corre fluido de vida que deveria ter sido vivida, corre destino ceifado. Essa porta não se fecha pelas mãos. A única coisa capaz de trancafiá-la é a humildade. O som da humildade vem do sorriso do mendigo ao receber atenção, vem do apadrinhamento dos órfãos, vem das mastigadas dos famintos, vem do respeito aos idosos. Humildade não é ser pobre. É reconhecer o valor de todas as formas de vida e ajudá-las também, a entender o próprio valor. O caminhar fecha a porta da dep

Quero voltar lá

Quero voltar lá! Nos campos verdejantes Onde a infância é sagrada Participar das rodas de ensinamentos Ouvir ecoar no coreto de vidro As mais belas canções Quero voltar lá! Onde as pessoas se ajudam Com vestes praticamente iguais Pois lá ninguém é mais Lá ninguém tem mais Quero voltar lá! Onde o Vale some no horizonte E as flores são grandes E as cores vívidas  Daquelas que tecnologia alguma Consegue alcançar Quero voltar lá! Onde só há sorriso Só há bondade E na fraternidade Somos realmente irmãos Quero voltar lá! Onde não há transporte Pois o movimento Se faz à luz do pensamento Quero rever a cabana Feita de pedra e palha Revisitar o menino negro Sorridente e encantador Mensageiro de uma promessa A promessa do Criador E naquele bilhete Apenas uma tira Frase incompleta Estava repleto De ensinamento Não mais sinto Vergonha em chorar Pois sei que chorando A alegria vai chegar Um dia descobri