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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

O Ipê da praça

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Quanta beleza mal vista há neste mundo? Tantos olhos cegos, passos indiferentes, mãos que deslizam sobre as teclas em tantos dispositivos em prol de ninguém. A inveja é difundida em doses homeopáticas, derramada gota a gota afim de se passar despercebida. O celular apontado para o rosto vaidoso quase registra o tronco do Ipê, frondoso e centenário, um verdadeiro idoso que carrega em seu viver gerações e gerações de bicho e gente. O gigante vitorioso que por sorte não estava no caminho de nenhum prédio, nenhuma casa, viu seu semear ser arrancado, dilacerado, torturado pela motosserra e descartado como lixo. Suas grandes criações, seus milagres e principalmente, seus propósitos estavam agora mortos. Os pássaros que ali repousavam choram a perda de seus ninhos nos ombros amadeirados do solitário Ipê, que na falta dos seus, acolhe os pequenos viajantes também órfãos de seus filhos. Apesar da dor a vida não para. O vento vem, carrega novamente suas sementes, mas o solo se recusa

Depressão

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A pele repuxada do canto das unhas Revela o açoite de uma ansiedade inventada Uma dor de poeta que sem sofrer nada Agoniza palavras e as tornam testemunhas Chora um mar inteiro dentro do peito Dói o estômago como fogaréu que consome palha Sobe até a garganta o gosto da tristeza Despedaça o coração e o vento espalha Onde estão as cores? Por que o arco íris é acinzentado? Há quem diga que inventa dores Só para ser valorizado... "Todos encontram seu lugar no mundo!" "Eu nem força tenho para sair do fundo!" A assombrosa culpa vem e o arrebenta É avassalador, a sanidade não aguenta Respiração profunda, suspiro de escravo Pernas cansadas, pesadelo acordado Angústia sem sentido nem explicação Não se engane, isso tem nome: chama-se depressão!  

Para nunca dizer adeus

Corro, me escondo Saio de cena num piscar de olhos Me mantenho calada para guardar apenas o olá Não quero colecionar despedida Não creio no fim Defendo a eternidade com a mesma certeza do ar que respiro Dou a quem amo a liberdade de voar Gosto do cantar de pássaros mas não os prendo Deixo-os livres para sonhar o retorno Não espero... Criar expectativas é querer ser dono de algo E há tempos entreguei minha vida a Deus Vivo como andarilho Não quero parar... Não posso parar! A caminhada tem que continuar. Sigo encontrando amigos Os deixo com as interpretações de mim E sigo na miúda, para nunca ter que dizer adeus

Oração da manhã nos tempos atuais

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Ó Deus de bondade eterna Obrigado (a) por mais um dia que amanhece Abençoe nosso caminho para que cheguemos intactos aos nossos trabalhos Nos ajude a ser cautelosos e prudentes no trânsito Dá-nos serenidade para não reagir aos assaltos Veda nossos olhos às baboseiras das redes sociais Que saibamos curtir assuntos relevantes Ajuda-nos a compartilhar mais sorrisos do que desgraças Permita-nos trabalhar sem esquecer dos nossos pais, irmãos e filhos Farta-nos de coragem para recusar propostas ilícitas Cerre nossos lábios ao sarcasmo Encha-nos de paciência para com egoístas Proteja nossas crianças dos jogos maléficos Ensina-nos a cortar despesas para suportar a inflação Dá-nos sabedoria para reconhecer as lorotas políticas E que sejamos dignos para que assim, tenhamos moral  para receber as dádivas do Divino Pai Eterno, Amém.

A lenda da merda no ventilador

Era uma vez um homem que vislumbrava ser muito rico. Ele vivia bradando sua vida mediana e queria sempre algo mais. Sonhava com o dia em que todos se calariam na sua presença, queria provar a todo custo que era inteligente e sabia que na sociedade em que vivia só seria respeitado se fosse milionário, afinal, dinheiro era sinônimo de sabedoria. Certa vez, caminhando no bairro onde morava, o homem avistou uma velha cigana que havia deixado cair uma moeda de ouro na rua. A senhora não notou a recente perda e seguiu o trajeto normalmente. O homem então, muito ganancioso, recolheu a moeda e a guardou em seu bolso. A cigana foi até a padaria e pediu alguns pães, queijo e um doce que havia prometido para sua netinha. O recinto estava cheio e como sempre, as pessoas tinham pressa. Na hora de pagar as compras, a velhinha colocou a mão no bolso e após alguns minutos as pessoas começaram a reclamar: - Vai pagar ou não vai?! - Não tem dinheiro, saia da fila!- Tem gente que não se toca! O ate

E vou seguindo...

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Ahh sórdida modernidade cega Sociedade de vitoriosos, estudiosos e pensadores Aos tropeços levanta a taça Defende a mediocridade como quem defende um filho Sente-se feliz com a mocinha vingada na novela E não consegue ver o além que é estampado na tela Tonta sou eu... Revoltada perco os dentes num bruxismo infernal Angustiada deito sonhos em letras Apedrejada coleciono pedaços de couraça Mas continuo meu caminho nesse mar de gente "inteligente" Com os delírios e utopias de uma pessoa "demente" Sigo observando... Os mais de cem canais dos quais, com sorte, aproveita-se um Os defensores de animais cibernéticos que esbravejam a maldade E que em casa não têm espaço para acolher nem um Sigo refletindo... Os mais velhos colocam o futuro do mundo nas mãos das crianças Pois passar abacaxi é mais fácil do que assumir A responsabilidade pela infinidade de lambanças Sigo me divertindo... Com os propagadores de notícias "cult" das redes socia

Ábidis

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Ulisses de Ítaca enamorou-se sob o céu de Santarém Da preciosa princesa Calipso filha do grande Gorgoris No crepúsculo silencioso perto do jardim com chafariz Entregaram-se um ao outro e do amor foram reféns Donde nasceu o pequenino Ábidis Ábidis era um bebê inocente que conheceria cedo a inclemência Seu avô num lapso nervoso mandou no Tejo abandoná-lo Não gostava de Ulisses e decidiu crucificá-lo Colocou Ábidis em um cesto e, no auge da sua indecência O jogou no rio na intenção de matá-lo Então uma coisa muito estranha aconteceu O cesto às margens do rio encalhou Diante da cena um cervo se comoveu Retirou Ábidis do cesto e o protegeu Alimentou o menino e docemente o criou O príncipe crescia alegre e forte Quando uns caçadores o encontraram na mata O prenderam com brutalidade insensata O levaram ao castelo para sua sorte Deixando a princesa Calipso estupefata O rei Gorgoris já estava velho e sofrido Lamentava por não ter um herdeiro va

A vida e o sapato

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Às vezes eu comparo a vida com o sapato. Somos como cadarço, nascemos para um propósito que normalmente se revela lá no final do nosso curso. Traçamos nossos objetivos e, vez ou outra, acertamos o buraco (representação das vitórias ao longo do caminho) outras vezes, nos retorcemos e damos voltas para encontrar a próxima saída. Vamos cruzando com o outro lado do cadarço, esbarrando nas pessoas que deixarão em nós um pouco delas e elas partirão com um pouco de nós. Seguimos costurando metas e objetivos afim de garantir nosso sustento e o de quem amamos. Algumas vezes pulamos uns buracos, trocamos a razão pela emoção de viver a plenitude da liberdade. Deixamos o pé mais frouxo, porém, mais confortável. E assim vamos construindo o que se chama destino. E finalmente quando vencemos e chegamos ao topo do que sonhávamos, recebemos um grande nó e para que ele seja possível, é também usado o outro lado do cadarço. Sendo assim, nunca chegamos aonde quer que seja sozinhos. Precisamos uns dos out

Acredite em quem não para

Levanta-te no novo dia Renove as energias Faça a promessa de que não permitirá Um amanhecer igual ao outro Plágio de sofrimento antigo Reinvente os pensamentos Não siga pegadas Pise onde seus pés Possam registrar novas memórias Toda descoberta é alento Todo novo jeito É conhecimento Então tente, experimente Saia do casulo Amplie sua mente Abra o mapa Mas feche os olhos Nele deslize o dedo E tome novo rumo Mas saiba que esse mapa Não é feito de papel É feito de carne e sangue Dentro do teu peito pulsa E não se engane Esse vidente Nunca erra!

Dengue Mata

Do tamanho de um grão de arroz Ele voa causando o pavor Mais perigoso que um leão feroz Vem criando imenso terror Trata-se do mosquito da dengue Que também transmite o Zika Vírus Aedes Aegypti é mortal E pode estar no seu quintal Todos fazem campanha A luta é de toda gente Vamos cumprir essa façanha Erradicar esse mal dormente Sai pra lá mosquito chato Seu zunido será calado Te matar é mais barato Do que ficar hospitalizado Todos juntos nessa onda Faremos acontecer o melhor Qualquer descuido ele sonda Para procriar ao teu redor Esse assunto é coisa séria Não podemos descuidar Nem mesmo nestas férias Podemos descansar Se a água acumula Tome logo providência Pois ela confabula Contra tua sobrevivência Vamos vencer a batalha Sejamos sempre vigilantes Vamos fazer uma mortualha Desses mosquitos infernizantes!

Nas asas da esperança

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Vou agora imaginar, a sensação gostosa de voar...  Ter os braços ao vento, sentir a brisa do relento, sem nada a preocupar. E no atrito empolgante começo a planar Capto as energias boas que pairam sob o ar E agradeço inconscientemente A paisagem exuberante que vejo nesse instante. Então, surge a confiança E em meio a tanta liberdade mergulho sem rumo Apenas para sentir a adrenalina correndo nas veias Sentir que sou dona do mundo.  E com apenas uma manobra Faço desse voo a mais bela coreografia já exibida Pois a paz transmitida É o toque especial da minha apresentação Nas asas da esperança Há sempre uma criança Que carrega consigo a inocência de um ser devaneador Mas um dia irá crescer E no amadurecer Saberá que não é preciso ter asas para voar Basta fechar os olhos E começar a sonhar  

Natureza do Ser

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O mundo é redondo Mas seu interior Feito de relevos montanhosos Revela a igualdade em diferentes tons Pois nossa casca Nem sempre entalhada Também é feita de altos e baixos Felicidades e tristezas E jamais saberíamos diferenciá-las Não fosse os experimentos a que abraçamos Somos seres humanos de sentimentos convexos Que dão a volta no imenso ser Como engrenagem perpétua Rebatem, refletem, reordenam-se Tudo no emaranhado do sentir Não há euforia que não se repita Bem como não existe dor Que não revisite O que muda a cada volta É a intensidade Ou a maturidade  Com que encaramos  Os desígnios do destino As mesmas coisas sob olhos diferentes... E sabendo que tudo passa Ao tempo de um instante Instante imensurável O importante é entender Que no final das contas Todo passo e toda palavra É de natureza indelével E justamente por isso Que todo cuidado É deveras pouco.

Bandeira de Amor

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Pai e mãe Apenas uma vida, esta vida, é insuficiente para agradecer-lhes Sendo assim, coloco na eternidade os abraços e beijos As alegrias e conquistas que com que faço troféus seus Os responsabilizo por toda parte boa que existe em mim Me responsabilizo pelas lágrimas que possam ter derramado E peço desculpas por qualquer prejuízo de alma que possa ter lhes causado A forma com que dedicaram o seu melhor a nós É também o grande desafio que nos proporcionaram Pois seus exemplos perfeitos evidenciam nossa pequenez em termos de evolução Vocês se fizeram luzes em meio às sombras São sempre os curandeiros das nossas mazelas Como Deuses sem magia porém repletos de compaixão Mais um ano chegou e com ele a grande oportunidade De repassar ao meu filho o espelho que vocês me deram E alimentar nele a chama sagrada que circunda nossa família A aurora austral com cores de virtude são vocês Eu sou o arco íris que nasce da sincronia perfeita da chuva e do Sol E no final de mim