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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

Controverso

Eu quero dizer Então me calo Eu tento ser forte Então me abalo Eu sigo em frente E logo eu volto Estou sorridente Depois revolto Renuncio a vontade E aí devoro Vou sem medo E lá me apavoro Compro um sapato Mas vou de chinelo No meio do mato Desejo um castelo Se faço academia O brigadeiro me vislumbra Se durmo à luz do dia Acordo na penumbra Se sou adulta Eu viro criança E quando desisto Encontro a esperança Se quero ser rica Me vejo pobre E todo plebeu Para mim é nobre O humano tem disso De se contradizer Quem nunca fez isso Não sabe o que é viver!

Instantâneo

Há um som dentro de mim Ele não cessa Ele perturba Preciso fazer algo Essa tortura Me leva à loucura E em um lapso Me entrego Assumo o relapso Mergulho todo o conteúdo N’água borbulhante Só para ver Em qual instante Ele irá se desfazer Ele irá me satisfazer? O pó tempera Já sinto o cheiro Não há outro jeito A fome impera Sinto na boca O gosto da preguiça É muito salgado Até o pelo eriça! Deixei de ir ao mercado E acabei vítima Do meu próprio descaso Não posso reclamar O miojo me salvou A barriga deixou de roncar Depois de devorar O último pacote que me restou.

Você sabe andar de bicicleta?

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O legal quando se sobe numa bicicleta é o vento que bate no rosto, a vontade de abrir os braços na descida, de soltar os pés do pedal, de ficar de pé enquanto as rodas nos levam por caminhos que seriam ignorados não fosse a sensação de plenitude que nos envolve. Andar de bicicleta é mais que exercício físico, é muito mais que instrumento da vaidade. Aliás, estar bonito em cima de uma bicicleta é o mesmo que usar alta costura para comprar pão. Simplesmente não combina. Ela quer ver cabelos soltos, ela quer apostar corrida com os carros, ela quer que a levemos por trilhas fechadas para sentir o cheiro da mata. Ela quer rodar até revelar a criança que existe em nós. A vida requer equilíbrio do mesmo jeito que pede coragem. Mas não a coragem insana de quem não mede as consequências. Ela quer daquela que usamos ainda crianças, quando aprendemos a andar de bicicleta. Começamos devagar, sentamos no banquinho e colocamos os pés no chão. Testamos o equilíbrio e cautelosamente liberamos

Queremos passar pelo rio vermelho!

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Sou fascinada pelo mundo das crianças! Elas são dotadas de uma inteligência emocional que deixa qualquer adulto no chinelo. A forma como elas expressam seus pontos de vista umas as outras é tão eloquente quanto inocente.  Esses dias eu tive o prazer de reviver uma parte da minha infância enquanto crianças brincavam de rio vermelho. Essa brincadeira requer um senso de observação apurado e consiste em deixar passar a ponte imaginária aquele que estiver usando o acessório designado pelo interlocutor. Pode ser uma blusa amarela, um relógio de pulso, um brinco de argola, etc. Aquele que não se enquadrar será perseguido e se for pego, assumirá o papel de interlocutor. Comecei então a fazer uma reflexão entre a brincadeira e a vida. Durante a nossa jornada, nos deparamos com pessoas das mais variadas personalidades. Observamos nelas as qualidades admiráveis e os defeitos detestáveis e assim, selecionamos e permitimos apenas alguns deles do lado de cá da "ponte" do nosso ser.

Conto infantil - A flor e a borboleta

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Era uma vez uma flor que queria ser borboleta. Ela ficava sempre no mesmo lugar balançando conforme o vento, sonhando em voar alto e quem sabe, visitar as flores mais longínquas. Os dias passavam, as estações trocavam e nada mudava. A pequena florzinha foi ficando triste e foi murchando até restar apenas uma pétala presa à sua haste. Um certo dia, uma borboleta muito distraída não viu uma baita árvore à sua frente e bateu com muita força no seu tronco. A borboleta se sacudiu tonteada e viu que perdera uma de suas asas. Ela percebeu que não podia mais voar e ficou deprimida. Eis que um caracol muito inteligente apareceu, analisou a flor e a borboleta e disse: - Eu tenho a solução para trazer alegria de volta à vida de vocês, mas precisarão confiar em mim. Vou chamar uma amiga e já volto. Após algumas horas o caracol voltou trazendo consigo a dona aranha, famosa por sua habilidade de tecelã. A dona aranha então falou: Hummm... Vai ser difícil, mas acho que dá para fazer! Sem pesta

Nota de agradecimento

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Hoje é um dia muito especial! Deus, mais uma vez, agraciou o meu caminho com uma grande felicidade: o de ter uma poesia selecionada no prêmio SFX de literatura. Não esqueço o dia em que fui visitar uma livraria no shopping e, querendo aprender mais, decidi buscar a seção de poesia. Com a curiosidade quase infantil, fui deslizando o dedo indicador nos livros até que me deparei com um deles que me chamou a atenção: Contos e poesias reunidos em um único livro! O segurei e vi que se tratava de um exemplar do primeiro prêmio SFX de literatura - 2013 Até então, escrevia só para mim, como num desabafo entre eu e minha alma. Então eu fui lendo e logo percebi que pertencia àquele mundo, o da literatura. Fui desbravando os talentos alheios com tanta vontade que aflorou em mim o desejo de compartilhar, de tentar, de melhorar, de vencer. E aconteceu! Aquele livro tornou-se parte de mim assim como eu agora também entrei para sua história. Quero agradecer a Deus, esse lindo pai que me inspira,