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Mostrando postagens de Março, 2021

O pouso da gaivota

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Acordei no meio da madrugada para escrever. É estranho como acontece de ter tantas palavras precisando verter suas águas e ao mesmo tempo lutando para se manter apenas no lado de dentro. Não sei se permaneço navegando a superfície desse mar revolto ou se me disponho a prender o ar para mergulhar e ver o que tem no fundo. Ambas as situações exigem desassossego. O mar de fora pede equilíbrio e flexibilidade e o mar de dentro pede fôlego e coragem. Eu bem que tento abarcar tudo, mas quando o horizonte não revela um porto, me sinto à deriva. As mãos estão calejadas, talvez eu tenha segurado o timão tempo demais. E não importa onde eu jogue a minha âncora, as areias serão remexidas. Uma voz me diz: enfrente! Outra voz me diz: em frente! Eu preciso escolher... Eu preciso escolher? Precisar é verbo desesperado. Então eu largo o timão. Deito-me no assoalho do navio e percebo uma gaivota no mastro. Ela parece serena. De repente mar, timão, âncora, areia ou porto se turvam na evaporação do pensa

Meu lugar seguro

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Meu lugar seguro é onde a palavra se manifesta E reverbera pensamento, emoção e sentimento. Meu lugar seguro é onde eu posso falar sem ninguém precisar ouvir porque no final das contas, o diálogo é entre eu e a minha alma. Aqui eu derramo a essência do momento, e me vejo, me leio, me calo, me interpreto, me conheço. Entre aqui se quiser, e seja bem-vindo. Meu diário nunca será secreto porque sei que nada é realmente meu. Sim, este lugar é seguro porque não exige nada, apenas existe. Aqui eu posso chegar sem ser notada e sair sem adeus. Aqui eu posso sonhar sem pudor ou castigo. Aqui eu posso encarar um furacão, paralisar um raio ou construir minha caverna. Aqui eu posso voar, beijar as musas e dançar com os anjos. Aqui eu posso precipitar as dores e rancores, medos e desacertos.  No meu lugar seguro tudo é amizade e convergência. Aqui os questionamentos não são um afronta mas sim, uma busca. Aqui a matéria é o que brota na fonte das ideias e o alimento é inesgotável. Este é meu confort

Reticências

Somos responsáveis pelo que dizemos e pelo silêncio... Somos responsáveis pelas ações e pela inércia... Somos responsáveis pelos sonhos e pela realidade... Somos responsáveis pelo plantio e pela colheita... Somos responsáveis pelo consciente e inconsciente... Somos responsáveis pelo ser e pelo não ser... Somos responsáveis pela gratidão e pela ingratidão... Somos responsáveis por tudo o que vem do viver. V(IDA) é uma jornada cujo rumo à Deus pertence. E eu entrego minha vida, minhas escolhas, minhas palavras e ações. Eu entrego tudo. Como na parábola dos talentos, eu recebi a vida. Quero devolver com gratidão no peito toda benevolência. Não nego meus espinhos, e por vezes, a rosa fica no broto. Ela deseja florir, deseja cumprir o ciclo, mas há um tempo que precisa ser respeitado. Mas eu continuo a regar o jardim, com lágrimas, com risos breves, com medo de errar e com vontade de acertar.  Por hora Pai, embora eu não mereça, me deite no Teu colo. Deixa eu sentir novamente a suavidade do