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Mostrando postagens de Junho, 2022

Escuta!

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Eu sei que ouvem os anjos Também sei dos ouvidos tortos, perdidos Dos que recolhem os bramidos Dos que cultivam desarranjos Ah eu sei, o fazem por amor! Pelo desejo incessante de proteção Pela justiça que pulsa no coração Para provar o outro com ardor E os espinhos são renascidos um a um: Vejam, não é uma rosa, é espinheiro! É perverso, sorrateiro! Ali, não há perfume algum! Sem perceber, vão se agarrando à valentia Impensada, irrefletida, arredia! Um erro encoberto Um destino deserto Enquanto isso, há o amor Que chora na alma, a mancha do desatino Que questiona, na dureza irrompida, o destino E que perdoa, às custas de imensa dor Há o amor, intenso, forte Pelas sementes plantadas no ventre E desde agora até após a morte Nada há mais valioso que a adentre Por isso eu entendo E não desejo ser compreendida Ainda assim, recomendo Ali não há só uma vida Todos somos um O Pai, também é um Olhemos com coragem o céu Peçamos: Pai, retira-nos o véu! Quem sabe assim Floresça um jardim O da compre

Diálogo - Julgamento

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Certo dia, mestre e discípulo sentaram-se à beira de um rio para contemplá-lo. Permaneceram alguns minutos em silêncio, apenas observando a água correr lentamente sob a luz de um Sol de tarde, clima ameno e gentil. O rio, calmo porém turvo e barrento, desaguava num mar de água límpida e cristalina. Após alguns minutos de silêncio, o discípulo se pronunciara: - Mestre, estava aqui a refletir sobre a grandiosidade da obra do Criador e sua diversidade, e sei que fora feito assim para a manutenção da vida. Mas me ocorreu que um rio sujo desagua num mar belissimamente transparente. Penso que talvez tudo flua para a purificação. O mestre permaneceu com o olhar ainda voltado ao rio e não respondeu de imediato. Respirou o ar profundamente, levantou-se, tirou suas alparcas e molhou os pés no rio. Após alguns segundos disse: - Nobilíssimo amigo, olhas o rio turvo e o denominas sujo. Olhas o mar transparente e o denominas puro. Me diga, de qual dessas águas te é possível beber? Um tanto surpreso,

Posso te ajudar?

Hoje vou refletir sobre a ajuda. Me deparo diariamente com uma série de situações desafio, onde sou chamada à escolha de uma ação, seja ela uma palavra só ou um discurso, um passo ou uma corrida, meia volta ou volta inteira... Preciso julgar por mim mesma o melhor caminho. Tentando acertar, eu erro. No que parecia errado, eu acerto. No acerto, eu solidifico. Certo, errado... Quem pode dizer? Quem, maduro e evoluído o suficiente pode dizer? Eu? Você? Exceto por aquilo que é lei, o certo e o errado se tornam tão subjetivos e anexados às circunstâncias... É certo corrigir o erro de alguém, mas, e se for na frente dos outros, continua certo? Sabe quando a ajuda se torna um problema? Quando ela não vem do amor, mas da vaidade. Quando ela vira um elemento de juízo, de julgamento, de pouca reflexão. Pior ainda, quando a ajuda nada mais é do que fuga de si mesmo, ou seja, melhor eu olhar o defeito do outro para não encarar o meu próprio defeito. Eu quero mesmo ajudar o outro a se corrigir, ou