Diálogo - Julgamento

Certo dia, mestre e discípulo sentaram-se à beira de um rio para contemplá-lo. Permaneceram alguns minutos em silêncio, apenas observando a água correr lentamente sob a luz de um Sol de tarde, clima ameno e gentil. O rio, calmo porém turvo e barrento, desaguava num mar de água límpida e cristalina.
Após alguns minutos de silêncio, o discípulo se pronunciara:
- Mestre, estava aqui a refletir sobre a grandiosidade da obra do Criador e sua diversidade, e sei que fora feito assim para a manutenção da vida. Mas me ocorreu que um rio sujo desagua num mar belissimamente transparente. Penso que talvez tudo flua para a purificação.
O mestre permaneceu com o olhar ainda voltado ao rio e não respondeu de imediato. Respirou o ar profundamente, levantou-se, tirou suas alparcas e molhou os pés no rio. Após alguns segundos disse:
- Nobilíssimo amigo, olhas o rio turvo e o denominas sujo. Olhas o mar transparente e o denominas puro. Me diga, de qual dessas águas te é possível beber?
Um tanto surpreso, o discípulo responde:
- A água do rio.
Com semblante amoroso, o generoso mestre continua:
- O Mar, por belo e grandioso que seja, recebe dos rios complementos químicos que o regulam. Os rios nascem em locais que o mar não toca, e por isso mesmo, carregam de si toda espécie de minérios e compostos que mantém tudo em equilíbrio. A pureza portanto, é interior. Vem da riqueza do que é gentilmente ofertado. Vem da doação, da abnegação. Vem da entrega. As coisas puras não se enxergam com os olhos do rosto, mas com os olhos da alma.




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