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Escuta!

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Eu sei que ouvem os anjos Também sei dos ouvidos tortos, perdidos Dos que recolhem os bramidos Dos que cultivam desarranjos Ah eu sei, o fazem por amor! Pelo desejo incessante de proteção Pela justiça que pulsa no coração Para provar o outro com ardor E os espinhos são renascidos um a um: Vejam, não é uma rosa, é espinheiro! É perverso, sorrateiro! Ali, não há perfume algum! Sem perceber, vão se agarrando à valentia Impensada, irrefletida, arredia! Um erro encoberto Um destino deserto Enquanto isso, há o amor Que chora na alma, a mancha do desatino Que questiona, na dureza irrompida, o destino E que perdoa, às custas de imensa dor Há o amor, intenso, forte Pelas sementes plantadas no ventre E desde agora até após a morte Nada há mais valioso que a adentre Por isso eu entendo E não desejo ser compreendida Ainda assim, recomendo Ali não há só uma vida Todos somos um O Pai, também é um Olhemos com coragem o céu Peçamos: Pai, retira-nos o véu! Quem sabe assim Floresça um jardim O da compre

Diálogo - Julgamento

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Certo dia, mestre e discípulo sentaram-se à beira de um rio para contemplá-lo. Permaneceram alguns minutos em silêncio, apenas observando a água correr lentamente sob a luz de um Sol de tarde, clima ameno e gentil. O rio, calmo porém turvo e barrento, desaguava num mar de água límpida e cristalina. Após alguns minutos de silêncio, o discípulo se pronunciara: - Mestre, estava aqui a refletir sobre a grandiosidade da obra do Criador e sua diversidade, e sei que fora feito assim para a manutenção da vida. Mas me ocorreu que um rio sujo desagua num mar belissimamente transparente. Penso que talvez tudo flua para a purificação. O mestre permaneceu com o olhar ainda voltado ao rio e não respondeu de imediato. Respirou o ar profundamente, levantou-se, tirou suas alparcas e molhou os pés no rio. Após alguns segundos disse: - Nobilíssimo amigo, olhas o rio turvo e o denominas sujo. Olhas o mar transparente e o denominas puro. Me diga, de qual dessas águas te é possível beber? Um tanto surpreso,

Posso te ajudar?

Hoje vou refletir sobre a ajuda. Me deparo diariamente com uma série de situações desafio, onde sou chamada à escolha de uma ação, seja ela uma palavra só ou um discurso, um passo ou uma corrida, meia volta ou volta inteira... Preciso julgar por mim mesma o melhor caminho. Tentando acertar, eu erro. No que parecia errado, eu acerto. No acerto, eu solidifico. Certo, errado... Quem pode dizer? Quem, maduro e evoluído o suficiente pode dizer? Eu? Você? Exceto por aquilo que é lei, o certo e o errado se tornam tão subjetivos e anexados às circunstâncias... É certo corrigir o erro de alguém, mas, e se for na frente dos outros, continua certo? Sabe quando a ajuda se torna um problema? Quando ela não vem do amor, mas da vaidade. Quando ela vira um elemento de juízo, de julgamento, de pouca reflexão. Pior ainda, quando a ajuda nada mais é do que fuga de si mesmo, ou seja, melhor eu olhar o defeito do outro para não encarar o meu próprio defeito. Eu quero mesmo ajudar o outro a se corrigir, ou

Pai

Quando penso no Criador e no livre-arbítrio, penso no tamanho do Seu Amor e da Sua fé em nós. Dar-nos a chance de fazer nossas próprias escolhas é oportunizar a cocriação. Permitir-nos um caminho próprio é mandar a mensagem de confiança e esperança. E se não fosse assim? E se Ele não permitisse esse livre-arbítrio? E se não tivéssemos escolhas?  Então, quando acreditamos que as Leis divinas são pesadas, não nos damos conta da sua benignidade. Não são regras que atuam contra nós e sim, a favor de nós. São regras que nos separam dos desatinos, das maldades, dos vícios... Houve bondade até nisso, porque poderia não ter nenhuma Lei, e nós estaríamos à deriva, sem qualquer direção. Não saberíamos diferir o certo do errado até que nos machucássemos muito.  Deus nos protege sem nos prender, sem invadir. Ele permite que a gente saiba o que é cair porque estará lá para nos levantar e isso basta. É um Pai que senta tranquilo no banco do passageiro porque conhece todas as estradas. É um Pai que s

Filosofia do dia

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Certo dia um peregrino chamou Jesus de bom mestre. Cristo em Sua imensa sabedoria respondeu: - Por que me chamas bom? Bom é o Pai, e somente Ele. Quem é bom na Terra e o que é ser bom? Quem é justo na Terra e o que é ser justo?  Ainda que num ato caridoso eu ofertasse um prato de comida a um faminto, tão melhor seria se antes de praticar tal ato, eu o olhasse nos olhos e perguntasse o que lhe agradaria o paladar. Digo isso, porque nem tudo o que parece bom é realmente bom e nem tudo o que parece mal é realmente mal. Eu posso pegar um monte de argila, fazer o mais belo vaso e entregá-lo em sinal de meu amor e devoção. Uma atitude bonita, eu sei, mas... quem sabe um simples e grosseiro tijolo tivesse mais serventia para uma casa em obras. Por vezes o mal reveste-se de sutilezas, e arquitetado nos cantos escuros das supostas boas intenções, vai corroendo tal como ferrugem, margeando todas as fraquezas. O mal não quer ser reconhecido, pois isso seria o primeiro passo para despistá-lo. Quem

Somos heróis

Livros são professores bondosos que buscamos através do livre-arbítrio. Já o viver, com suas diversas nuances, nos desafia a todo instante. É como se estivéssemos percorrendo uma história e dentro dela surgissem mais e mais histórias. Se o foco não está legal, a gente vira personagem da história dos outros. E aos poucos, vamos nos esquecendo de nós. Então, despersonalizados e perdidos, nos tornamos nossos próprios algozes. Apontamos com facilidade os erros alheios, não porque estamos no caminho certo, mas porque conhecemos muito bem o erro. Estamos nele. Conhecemos cada sensação de ruptura. E ao projetar isso no outro, não percebemos o nosso próprio grito de socorro. Isso ocorre porque ao esperar as melhores ações do outro, suas correções, ele se torna nosso espelho. Inconscientemente é: "Se ele conseguir, eu conseguirei". Mas, eu pergunto, quem escreve a história? Mais importante: por que escreve a história? Onde está sua essência? Quem ordena os fatos? Quem ordena os SENTIM

O que brota do coração

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           Em todo coração há uma semente capaz de brotar paraíso. Nem pés cansados, nem olhos tristes, nem as dores do caminho são capazes de retirar de dentro o que fora plantado antes de cada nascer. Vem do Criador, Amor Fonte, Consciência Suprema, cada centelha benéfica que circula o espírito humano. Vem Dele toda cura e toda paz. Sua grandeza vem justamente dessa partilha. Portanto, não pense que o amor se esgota. Não pense que você não merece o bem, pois foi o Bem que te fez rebento de luz, foi o Bem que te trouxe fio de esperança, pureza, doação, união. As falhas, os erros, as ignorâncias jamais cristalizarão, pois que são como ventos passageiros que bagunçam, mas que também varrem, reorganizam e remediados, semeiam ainda mais longe. Do peito de quem ama brotam rios mansos de ternura, que acalmam no mergulho de um abraço ou de gesto simples: um sorriso e um real desejo de bem-querer.  Ainda que o tumulto do mundo te apanhe, não deixe de confiar que és bem amparado. Ainda que te