Posso te ajudar?

Hoje vou refletir sobre a ajuda. Me deparo diariamente com uma série de situações desafio, onde sou chamada à escolha de uma ação, seja ela uma palavra só ou um discurso, um passo ou uma corrida, meia volta ou volta inteira... Preciso julgar por mim mesma o melhor caminho. Tentando acertar, eu erro. No que parecia errado, eu acerto. No acerto, eu solidifico. Certo, errado... Quem pode dizer? Quem, maduro e evoluído o suficiente pode dizer? Eu? Você? Exceto por aquilo que é lei, o certo e o errado se tornam tão subjetivos e anexados às circunstâncias... É certo corrigir o erro de alguém, mas, e se for na frente dos outros, continua certo?

Sabe quando a ajuda se torna um problema? Quando ela não vem do amor, mas da vaidade. Quando ela vira um elemento de juízo, de julgamento, de pouca reflexão. Pior ainda, quando a ajuda nada mais é do que fuga de si mesmo, ou seja, melhor eu olhar o defeito do outro para não encarar o meu próprio defeito. Eu quero mesmo ajudar o outro a se corrigir, ou eu quero feri-lo com minha reprovação? Será que eu o estou comunicando de seu erro com clareza e dando um direcionamento ou estou apenas cutucando, provocando, machucando?

Eu entendo o seguinte: se eu sei que uma postura está errada, e que ela traz prejuízos, que o panorama para a melhora é bom, então tenho bases suficientes para expressar abertamente ao outro de seu equívoco. Mas aqui também cabe um porém: eu conheço o contexto social desse indivíduo? Eu sei sua história, sua origem, sua bagagem de vida? Porque não vale pegar a ponta de um iceberg e dizer que é uma montanha. Antes disso tudo, houve a pergunta direta e simples: eu posso te ajudar em alguma coisa?

O mesmo vale para quando nós precisamos de ajuda. Será que estamos sabendo comunicar direito a nossa necessidade? 

A caridade é uma virtude linda, mas sem amor, vira vaidade. Eu sei que é difícil olhar para nós mesmos, assumir nossas sombras, saber que delas nasceram tanta coisa ruim. Encarar nossas maldades, nossas mágoas revestidas de raiva, nossas angústias revestidas de juízos ferozes. É difícil quando a gente percebe tanto a melhorar. Se é difícil para nós, é difícil para o outro tb. 

Encerro a reflexão deixando uma pergunta: Eu sei ME corrigir com amor?

Pense nisso!



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